Motoristas que trafegam frequentemente pelo trecho da BR-116 em Leopoldina, na Zona da Mata mineira, chamam a atenção para o perigo decorrente da imprudência na condução de veículos de carga pesada.
Uma leitora do Portal Cerqueiras Notícias registrou em vídeo a movimentação em alta velocidade de carreta durante a descida da Serra da Vileta, onde são relatadas manobras arriscadas e ultrapassagens em locais proibidos pela sinalização viária.
A autora da gravação, que possui uma propriedade rural na Comunidade dos Coelhos e utiliza a rodovia de forma contínua, decidiu documentar o trajeto como forma de denúncia face ao histórico de acidentes no local.
Segundo os relatos, caminhões e carretas de grande porte ignoram os limites de velocidade estabelecidos e mantêm uma proximidade considerada insegura em relação aos veículos de passeio que transitam à frente.
De acordo com o depoimento dado pela condutora, a falta de respeito às regras de trânsito obriga os motoristas de carros de menor porte a adotarem medidas defensivas extremas, como direcionar o veículo para o acostamento para ceder passagem e evitar colisões traseiras.
No entanto, o fator agravante é que a geografia do trecho da serra não dispõe de acostamento em toda a sua extensão, limitando as opções de fuga em caso de emergência.
Relatos de insegurança no retrovisor
A denunciante detalhou uma situação recente ocorrida durante a tarde, enquanto realizava o transporte de um familiar até a zona rural. Segundo a motorista, um veículo de carga pesada iniciou uma aproximação rápida a partir do topo do morro, fazendo o uso insistente de sinais luminosos (piscar de faróis) e acelerando continuamente ao longo do declive.
“Vim de tarde trazer meu irmão no sítio e essa carreta veio desde lá de cima. Eu estava olhando pelo retrovisor e ele vinha piscando o farol e acelerando, descendo o morro. Quando chegou na parte de baixo, onde tinha o acostamento, eu encostei para ele passar. A gente é obrigado a descer acelerando lá de cima, porque senão as carretas passam por cima da gente”, desabafou a condutora, destacando que já precisou atingir velocidades superiores a 100 km/h na descida para manter uma distância segura do caminhão que vinha atrás.
Os usuários da via apontam que a colisão na parte traseira dos automóveis é a dinâmica principal de parte dos acidentes registrados na Serra da Vileta. O histórico do trecho inclui ocorrências graves com vítimas fatais, nas quais condutores de veículos pesados frequentemente alegam falhas ou reduções bruscas dos automóveis de passeio para justificar o impacto.
Demandas por fiscalização eletrônica
Diante do cenário de vulnerabilidade para quem trafega pela BR-116 na região, os moradores e usuários frequentes defendem a necessidade de intervenção das autoridades de trânsito federais.
A principal reivindicação é a instalação de redutores eletrônicos de velocidade, como radares fixos, em pontos estratégicos do declive da serra para forçar a desaceleração obrigatória dos veículos de carga.
A fiscalização desse perímetro da rodovia federal compete à Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os motoristas reforçam o alerta para que quem necessite passar pela Serra da Vileta redobre a atenção e adote uma direção puramente defensiva.