O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de cura do câncer de cabeça e pescoço e reduzir o impacto do tratamento na qualidade de vida dos pacientes. Durante a campanha Julho Verde, especialistas reforçam o alerta para que sintomas persistentes, muitas vezes confundidos com problemas comuns, não sejam ignorados. A demora em procurar atendimento médico ainda faz com que boa parte dos casos seja descoberta em estágios avançados, quando as opções terapêuticas são mais complexas e as sequelas podem comprometer funções essenciais, como falar, mastigar e engolir.
O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que podem surgir na boca, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Como os primeiros sinais costumam ser discretos, muitos pacientes acabam adiando a consulta médica, favorecendo a progressão da doença.
Entre os principais sintomas estão feridas na boca que não cicatrizam por mais de duas semanas, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor de garganta contínua e o aparecimento de caroços no pescoço. Embora essas manifestações possam estar relacionadas a outras doenças, especialistas alertam que, quando persistem, precisam ser investigadas.
Os fatores de risco mais conhecidos continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A combinação desses hábitos aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento da doença. Nos últimos anos, a infecção pelo HPV também passou a ser reconhecida como importante fator associado a determinados tipos de câncer da orofaringe, principalmente entre pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo.
Outro fator de atenção é a exposição prolongada ao sol sem proteção, especialmente para trabalhadores que permanecem por longos períodos ao ar livre. O uso de protetor labial com filtro solar é uma das medidas recomendadas para prevenir o câncer de lábio.
Além da prevenção, consultas periódicas com médicos e cirurgiões-dentistas desempenham papel fundamental na identificação precoce de alterações suspeitas. Muitas lesões podem ser detectadas durante exames clínicos de rotina, antes mesmo do aparecimento de sintomas mais graves.
Quando identificado nas fases iniciais, o câncer de cabeça e pescoço apresenta índices de controle significativamente maiores e pode ser tratado com procedimentos menos agressivos. Já nos casos avançados, frequentemente é necessária a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, além de um processo de reabilitação que pode envolver fonoaudiólogos, nutricionistas, dentistas, psicólogos e outros profissionais especializados.
Especialistas também destacam a importância da vacinação contra o HPV como estratégia de prevenção para parte desses tumores, além da adoção de hábitos saudáveis, como abandonar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, manter boa higiene bucal e seguir uma alimentação equilibrada.
A campanha Julho Verde reforça que informação e diagnóstico precoce continuam sendo os principais aliados no enfrentamento da doença. Diante de qualquer alteração persistente na boca, garganta ou pescoço, a orientação é procurar avaliação médica o quanto antes. Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as chances de cura, preservação das funções da região afetada e melhor qualidade de vida durante e após o tratamento.