A Prefeitura de Belo Horizonte ampliou a Operação Tolerância Zero no transporte coletivo para retirar de circulação ônibus em condições irregulares e forçar melhorias na qualidade do serviço prestado na capital mineira. As ações, conduzidas pela Superintendência de Mobilidade Urbana (SUMOB) e pela BHTrans, incluem fiscalizações em garagens, corredores, pontos finais e estações em busca de veículos com falhas mecânicas, itens de segurança irregulares e descumprimento das normas de operação.
Desde o início da iniciativa, em janeiro de 2024, a prefeitura já realizou mais de 5,5 mil ações de fiscalização, com 30,9 mil ônibus vistoriados e 31,9 mil autuações aplicadas. No período, 1.178 autorizações de tráfego foram recolhidas, e 23 veículos acabaram removidos para o pátio do Detran-MG por irregularidades graves.
Operações têm flagrado alto índice de irregularidades
Dados recentes mostram a persistência de falhas. Em uma operação surpresa na Estação Barreiro, 66% dos ônibus fiscalizados apresentaram irregularidades — seis dos nove veículos checados foram autuados, com problemas que incluem portas com falhas, iluminação defeituosa, freio de porta inoperante e letreiros fora do padrão.
Em outras ações, todos os veículos vistoriados chegaram a ser notificados, como em fiscalizações envolvendo linhas como 9211 e 9214, já listadas entre as que mais apresentaram problemas em inspeções anteriores.
O que está sendo verificado
As equipes de fiscalização analisam:
- funcionamento das portas e sistema de freios
- elevadores e equipamentos de acessibilidade
- limpeza e conservação dos veículos
- sistemas elétricos e iluminação
- adequação da identificação e letreiros
- documentação e autorização de tráfego
Veículos com falhas graves são impedidos de seguir viagem ou recolhidos imediatamente ao pátio.
Impacto imediato e expectativa futura
Embora a retirada imediata de ônibus possa gerar reflexos temporários na oferta de viagens em algumas linhas, como atrasos e lotação extra, a PBH afirma que a medida é essencial para garantir segurança e pressionar as empresas a manter a frota em condições adequadas. A prefeitura destaca ainda que o monitoramento via GPS e denúncias de usuários orientam parte das ações e ajudam a definir prioridades de fiscalização.
Especialistas em mobilidade apontam que a operação só produzirá efeitos estruturais se acompanhada de renovação de frota, melhorias na manutenção preventiva e monitoramento permanente dos contratos de concessão — diretrizes que a administração municipal afirma estar implementando.

Participação dos usuários
A gestão municipal incentiva os passageiros a reportar problemas via aplicativo e canais oficiais, incluindo número da linha, horário e possível identificação do veículo, reforçando o caráter colaborativo da ação de controle público do transporte .
Próximos passos
A Operação Tolerância Zero segue de forma contínua e a PBH afirma que novas ondas de fiscalização já estão programadas para o fim de 2025 e início de 2026, com foco em linhas de alto volume de reclamações e em terminais de maior circulação, como Barreiro, Venda Nova e área central.