O prefeito de Orizânia, município da Zona da Mata mineira, foi afastado do cargo por 90 dias após investigações apontarem que ele alugava suas próprias máquinas pesadas para a prefeitura, ocultando a titularidade dos equipamentos e superfaturando contratos. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 5,8 milhões em bens do gestor, medida que visa garantir ressarcimento ao erário caso as irregularidades sejam confirmadas.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o prefeito teria utilizado familiares como laranjas para ocultar a propriedade das máquinas, emitido notas fiscais fraudulentas e manipulado planilhas de serviços que, em muitos casos, nunca teriam sido executados. Os contratos suspeitos foram intermediados por consórcios intermunicipais, o que permitiu contornar procedimentos de licitação obrigatórios e direcionar recursos públicos.
O Ministério Público classificou o esquema como improbidade administrativa grave, destacando o uso indevido de recursos públicos em benefício próprio, prejudicando a população local que depende de obras e serviços essenciais realizados com os equipamentos municipais.
A liminar que determinou o afastamento impede que o prefeito tenha acesso a prédios públicos ou servidores municipais durante o período, além de permitir que sejam tomadas medidas para resguardar recursos financeiros e investigar a extensão do esquema.
O caso agora segue em fase de instrução processual, em que a Justiça irá analisar provas, ouvir defesa e decidir se haverá condenação por improbidade administrativa ou crimes correlatos. Especialistas em administração pública alertam que esquemas desse tipo corroem a credibilidade da gestão municipal e dificultam o planejamento de obras e serviços essenciais à população.