O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta quinta-feira (16) que o combate na Faixa de Gaza “ainda não terminou” e reafirmou o compromisso do governo israelense em recuperar os corpos de todos os reféns mortos durante o conflito com o Hamas. A declaração foi feita durante a cerimônia oficial que marcou dois anos do ataque do grupo palestino a Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023.
“Estamos determinados a obter o retorno de todos os reféns. A luta ainda não terminou, mas uma coisa é certa: quem levantar a mão contra nós sabe que pagará um preço muito alto”, afirmou Netanyahu.
A fala ocorre em meio ao impasse sobre o cumprimento do acordo de cessar-fogo firmado na última sexta-feira (10), mediado pelos Estados Unidos. O pacto previa a libertação de todos os reféns — vivos e mortos — em até 72 horas, prazo que expirou na segunda-feira (13). Embora o Hamas tenha libertado os 20 reféns vivos, apenas nove dos 28 corpos foram entregues até agora. O grupo alegou dificuldades logísticas e necessidade de equipamentos especiais para localizar os demais cadáveres entre os escombros e túneis de Gaza.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, alertou que, caso o Hamas não cumpra integralmente o acordo, o país retomará os combates com apoio dos Estados Unidos, visando a “derrota total” do movimento islâmico. O Fórum das Famílias de Reféns também pressionou o governo israelense a suspender qualquer nova etapa do acordo enquanto o Hamas continuar descumprindo suas obrigações.
Em troca dos corpos dos reféns, Israel entregou 120 cadáveres de palestinos, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. A porta-voz do governo israelense, Shosh Bedrosian, afirmou que um organismo internacional está envolvido na busca pelos corpos restantes.
O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou o impasse: “Eles estão cavando. Estão encontrando muitos corpos. Alguns estão lá há muito tempo, e outros estão sob os escombros. Outros estão nos túneis.”

Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza se agrava. A ONU declarou estado de fome em diversas áreas do território, e organizações como a CARE denunciam dificuldades para distribuir mantimentos. “Uma das condições do acordo era a liberação imediata e massiva da ajuda humanitária, o que não está acontecendo”, afirmou Adéa Guillot, porta-voz da ONG.
A reabertura da passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, está prevista como parte do plano de paz, mas ainda sem data definida. Israel afirma que o ponto será aberto apenas para circulação de pessoas.
O plano de 20 pontos proposto por Trump inclui, além do cessar-fogo e da libertação dos reféns, o desarmamento do Hamas, a retirada israelense de Gaza e a criação de uma força internacional de estabilização. No entanto, pontos cruciais como o futuro governo do território e a criação de um Estado palestino seguem sem consenso.
A trégua, já fragilizada, enfrenta novas ameaças. O Hamas acusa Israel de violar o cessar-fogo ao matar 24 pessoas desde sexta-feira. Israel, por sua vez, afirma que suas tropas reagiram a ameaças nas zonas de contenção.
Com mais de 67 mil mortos em Gaza e 1.221 vítimas israelenses desde o início do conflito, a crise humanitária e política se aprofunda, enquanto o futuro da região permanece incerto.