Motoristas que trafegam pela GO-454, rodovia que liga Mozarlândia (GO) a Cocalinho (MT), denunciam o que vem sendo chamado nas redes sociais de “o pedágio mais injusto do Brasil”. Apesar de a via apresentar trechos sem pavimentação, com buracos e poeira, os condutores são obrigados a pagar pedágio para cruzar a ponte que liga os dois estados — R$ 10 para carros, R$ 5 para motocicletas e R$ 10 por eixo para caminhões.
A cobrança é feita em um trecho de aproximadamente 15 quilômetros de estrada de terra, logo após a praça de pedágio. Em vídeos que viralizaram nas redes, caminhoneiros relatam pagar até R$ 70 por passagem, dependendo da quantidade de eixos do veículo, para trafegar em um trajeto sem asfalto e em más condições.
Segundo a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a tarifa é cobrada pelo Consórcio Caminhos do Sol, responsável pela concessão desde 2004. A agência afirma que a cobrança foi autorizada por contrato e que o pedágio entrou em operação em 2017, após a conclusão da ponte sobre o Rio Araguaia, que liga Goiás ao Mato Grosso.
Ainda de acordo com a Goinfra, a pavimentação da GO-454 está em andamento: cerca de 53 quilômetros já foram asfaltados, mas restam 12 quilômetros de estrada de terra próximos à ponte. O órgão atribui o atraso a “obstáculos técnicos e ambientais”, como cheias do Rio Araguaia, e promete concluir os projetos de engenharia até o primeiro semestre de 2026.
Enquanto isso, a cobrança segue ativa — e o descontentamento dos usuários, crescente. Especialistas e motoristas questionam a legalidade e a justiça de se cobrar pedágio em uma rodovia sem pavimentação, o que, segundo juristas, pode configurar violação do princípio da contraprestação de serviço adequado.
A situação ganhou repercussão nacional e virou símbolo da insatisfação com a infraestrutura viária no interior do país. “É revoltante pagar pedágio para rodar no barro”, resumiu um caminhoneiro em vídeo publicado nas redes.