A morte de Orelha, um cão comunitário de aproximadamente 10 anos que vivia na Praia Brava, em Florianópolis, provocou comoção entre moradores e mobilizou autoridades para investigar o caso. O animal foi agredido violentamente por quatro adolescentes, segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, e precisou ser eutanizado devido à gravidade dos ferimentos. O episódio gerou repercussão nacional e reacendeu debates sobre maus-tratos a animais e endurecimento das penas previstas em lei.
De acordo com o inquérito, o ataque teria ocorrido no início de janeiro de 2026. Os quatro adolescentes suspeitos foram identificados após a coleta de depoimentos e evidências, incluindo mensagens e testemunhos de moradores da região. Por serem menores de idade, não podem responder criminalmente, mas poderão ser submetidos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Além dos adolescentes, três adultos — incluindo parentes dos jovens — foram indiciados por coação de testemunhas, por tentarem influenciar depoimentos de moradores que presenciaram o caso. A Justiça determinou ainda a remoção de publicações nas redes sociais que pudessem identificar os suspeitos, protegendo sua identidade conforme a legislação brasileira.
O caso reacende a discussão sobre a Lei nº 14.064/2020 — conhecida como Lei Sansão, que endureceu as penas para maus-tratos a cães e gatos, prevendo reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição de guarda em casos graves. Especialistas apontam que, mesmo com a legislação, a aplicação efetiva depende do cumprimento rigoroso do processo investigativo, sobretudo quando os autores são menores.
Repercussão social
O episódio gerou intensa mobilização nas redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha e protestos de moradores da Praia Brava. Duas petições online já reuniram centenas de milhares de assinaturas, cobrando punição rigorosa e mais atenção às políticas de proteção animal. O caso também chegou ao Senado Federal, onde parlamentares discutem a necessidade de endurecimento das penas para crimes contra animais domésticos.

Até o momento, as autoridades seguem com a investigação e aguardam o resultado das diligências para definir as medidas socioeducativas aos adolescentes e eventual responsabilização dos adultos envolvidos. A tragédia de Orelha reforça o alerta sobre a importância da proteção e respeito aos animais, além de evidenciar lacunas na prevenção de casos de violência e abuso.