Operação conjunta entre as polícias civis de Minas Gerais e Goiás prendeu nesta quarta-feira (5) a neurologista Cláudia Soares Alves, de 42 anos, em Itumbiara (GO). Investigadores afirmam que ela teria sido a mandante do assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em 2020, em Uberlândia (MG), motivada por ciúmes e pela obsessão de assumir a maternidade da filha da vítima.
A prisão foi resultado de uma operação conjunta das polícias civis de Minas Gerais e Goiás, que também cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da médica. No local, os agentes encontraram um quarto infantil montado, com berço, roupas de menina e uma boneca bebê reborn, reforçando, segundo a investigação, o padrão de comportamento obsessivo de Cláudia, que já havia sido presa em 2024 pelo sequestro de um recém-nascido dentro do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).
O crime de 2020
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, Renata Bocatto Derani, de 38 anos, foi assassinada na manhã de 7 de novembro de 2020, quando chegava para trabalhar em uma farmácia no bairro Presidente Roosevelt, em Uberlândia. Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem armado se aproximou, entregou uma carta à vítima e, em seguida, disparou várias vezes contra ela. Renata morreu no local.
As investigações apontam que o crime foi encomendado por Cláudia após o fim do breve casamento com o ex-marido da farmacêutica, com quem manteve relação por apenas dois meses. Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Leal, a médica demonstrava “comportamentos obsessivos” e o desejo de ser mãe da filha do casal anterior.
Renata, ao perceber a instabilidade emocional da ex-esposa do ex-marido, teria proibido que a filha se encontrasse com o pai quando ele estivesse acompanhado da médica — o que, de acordo com a polícia, teria motivado o assassinato.
Mandante e executores
Durante a operação, além de Cláudia, foram presos temporariamente outros dois suspeitos: pai e filho, vizinhos da médica em Itumbiara. Ambos são apontados como os executores do crime. O trio foi transferido para Uberlândia, onde permanece à disposição da Justiça.
Nos interrogatórios, Cláudia e um dos suspeitos admitiram ter estado na cidade no dia do assassinato, mas apresentaram um álibi que acabou sendo desmentido pela investigação. A moto utilizada no crime tinha a placa adulterada e era de propriedade dos vizinhos da médica.
Sequestro em maternidade e histórico de crimes
A neurologista já havia sido presa em 2024 por sequestrar uma recém-nascida do Hospital de Clínicas da UFU, onde trabalhava como professora. Na ocasião, ela utilizou documentos falsos e fugiu com o bebê até Itumbiara, a cerca de 135 km de Uberlândia.
No carro de Cláudia, os policiais encontraram um enxoval completo de menina. A médica alegou que os itens seriam presente para sua empregada doméstica — que, no entanto, esperava um menino. Durante o inquérito, a polícia descobriu que ela tentava adotar bebês de forma ilegal, mentindo para familiares e oferecendo dinheiro a famílias vulneráveis.
Segundo o delegado Eduardo Leal, “Cláudia é capaz de tudo para alcançar o desejo de ser mãe de uma menina. No quarto dela, encontramos um ambiente montado como se houvesse uma criança vivendo ali. É um comportamento totalmente desequilibrado”.
Perfil e defesa
Cláudia Soares Alves é neurologista e atuava como professora na Universidade Federal de Uberlândia, além de atender em uma clínica particular em Itumbiara. Em suas redes sociais, publicava conteúdos sobre saúde mental e mensagens de gratidão profissional.
Após o sequestro da bebê, em 2024, seu advogado, Vladimir Rezende, afirmou que a médica sofre de transtorno afetivo bipolar e, na época dos crimes, estaria em crise psicótica, sem plena capacidade de discernimento sobre seus atos. A defesa ainda não se manifestou sobre as novas acusações de homicídio.
Investigações continuam
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer se houve pagamento aos executores e se outros crimes cometidos por Cláudia estão relacionados ao assassinato da farmacêutica. As prisões temporárias podem ser convertidas em preventivas nos próximos dias.
Renata Bocatto Derani deixou uma filha, hoje com nove anos.
Cláudia Soares Alves permanece detida à disposição da Justiça mineira.