A líder da oposição venezuelana María Corina Machado foi anunciada nesta sexta-feira (10) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025. O Comitê Norueguês do Nobel justificou a escolha destacando seu “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”. A premiação reforça a projeção internacional de Machado, que se tornou um símbolo global de resistência ao regime autoritário de Nicolás Maduro.
Uma líder em tempos de repressão
María Corina tornou-se figura central na política venezuelana ao unificar uma oposição historicamente fragmentada em torno da defesa de eleições livres e de um governo representativo. A líder, de 57 anos, está escondida desde janeiro, após enfrentar ameaças diretas contra sua vida. “Apesar das sérias ameaças, ela permaneceu no país, inspirando milhões”, afirmou Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Norueguês do Nobel, durante o anúncio.
A perseguição intensificou-se antes das eleições presidenciais de 2024, quando Machado foi desqualificada pelo governo para concorrer. Ela então apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia, que disputou o pleito marcado por repressão, prisões e denúncias de fraude. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou Maduro vencedor, mesmo diante de evidências críveis em sentido contrário, o que provocou protestos violentamente reprimidos e resultou em mais de 20 mortes.
Trajetória marcada por coragem e ativismo
Engenheira de formação, María Corina iniciou sua trajetória pública em 1992 ao fundar a Fundación Atenea, dedicada a crianças em situação de rua em Caracas. Em 2002, ajudou a criar a Súmate, que promove eleições livres e monitoramento eleitoral independente. Eleita para a Assembleia Nacional da Venezuela em 2010 com votação recorde, foi cassada pelo regime de Hugo Chávez quatro anos depois.
Desde então, tem se destacado na liderança da Vente Venezuela e na formação da aliança Soy Venezuela, que busca unir forças pró-democracia no país. Em 2023, anunciou sua candidatura à presidência para enfrentar Maduro, mas foi impedida de concorrer.

Um Nobel que ecoa além das fronteiras
O prêmio, que inclui 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), reforça o apoio internacional à luta democrática na Venezuela. “Quando autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem”, declarou Frydnes. O comitê também admitiu que ainda não sabe se as condições de segurança permitirão a presença de Machado na cerimônia de entrega, marcada para dezembro em Oslo.
A vitória de Machado ocorre em um cenário geopolítico sensível e até frustrou as expectativas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que havia insinuado publicamente esperar vencer o prêmio após o cessar-fogo anunciado entre Israel e o Hamas nesta semana. O Comitê Norueguês reforçou, porém, que a escolha segue unicamente os princípios estabelecidos por Alfred Nobel, criador da honraria.
Legado e simbolismo
A premiação de 2025 insere María Corina Machado em uma lista de personalidades e organizações que marcaram a história do Nobel da Paz, ao lado de nomes como Narges Mohammadi (2024), Nihon Hidankyo (2023), Maria Ressa e Dmitri Muratov (2021).
“Democracia é o fundamento da paz, tanto dentro dos países quanto entre eles”, escreveu o Comitê ao justificar a escolha. Para milhões de venezuelanos, Machado representa a esperança de uma transição democrática — e agora, também, um símbolo mundial de resistência pacífica.