Um homem de 42 anos matou cinco integrantes da própria família em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, em um crime que chocou a cidade pela brutalidade e pela frieza do autor. As vítimas são o pai, a madrasta, duas irmãs e um sobrinho de 5 anos. Jonathas dos Santos Souza confessou os assassinatos no momento da prisão e manteve a versão em depoimento à Polícia Civil, afirmando que “fez o que tinha que fazer” e sem demonstrar arrependimento, segundo a delegada responsável pelo caso, Camilla Miller.
A chacina ocorreu na manhã de quarta-feira (7), em um conjunto de casas no mesmo terreno, no bairro Santa Cecília. De acordo com a investigação, Jonathas aguardou do lado de fora do imóvel até que uma das irmãs abrisse o portão, por volta das 7h, para sair ao trabalho. Ela foi a primeira vítima, atacada a golpes de faca e empurrada para dentro do terreno. Em seguida, o homem percorreu o corredor da residência e matou a madrasta. Já dentro da casa, atacou o pai, que estava deitado no quarto.
A sequência de crimes continuou quando a outra irmã, de 44 anos, que morava nos fundos do terreno, foi até a casa dos pais e acabou morta na cozinha. Por fim, Jonathas retornou à residência dos fundos e matou o sobrinho de 5 anos, que estava deitado na cama. O crime foi descoberto por um irmão de 34 anos, que sobreviveu e encontrou uma das vítimas caída.
A Polícia Militar localizou o suspeito ainda no mesmo dia, em seu apartamento no bairro Santa Terezinha. No imóvel, os policiais encontraram duas facas táticas dentro de um balde. As roupas usadas durante o ataque — bota, casaco e calça — estavam molhadas no banheiro e na máquina de lavar, o que, segundo a polícia, indica uma tentativa de eliminar vestígios de sangue.
Familiares relataram às autoridades que Jonathas apresentava comportamento alterado havia cerca de um ano, com dificuldades para manter empregos e o hábito de encarar as pessoas de forma intimidadora. Também foi informado que ele teve uma briga com o pai cerca de seis meses antes do crime, embora mantivesse convivência com a família e tivesse passado as festas de fim de ano com as vítimas.
A motivação da chacina ainda é investigada pela Delegacia Especializada em Homicídios de Juiz de Fora. Os corpos das vítimas foram velados na manhã de quinta-feira (8). Preso em flagrante no dia do crime, Jonathas passou por audiência de custódia na sexta-feira (9), quando a prisão foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O inquérito policial foi concluído dentro do prazo legal de dez dias e resultou no indiciamento de Jonathas dos Santos Souza por homicídio qualificado. Em coletiva concedida à imprensa na sexta-feira (16), a delegada Camilla Miller informou que ele responderá por homicídio praticado por meio insidioso e cruel, além do uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Segundo ela, todos os laudos periciais pendentes foram anexados ao processo, que agora segue à disposição da Justiça e do Ministério Público.