Um ex‑engenheiro de software do Google, Linwei Ding, foi condenado por um júri federal dos Estados Unidos por roubar segredos comerciais e documentos confidenciais relacionados a tecnologia de inteligência artificial e infraestrutura de centros de dados da empresa para beneficiar duas companhias chinesas com as quais ele estava secretamente envolvido.
Ding, 38 anos, foi considerado culpado em quatorze acusações — sete de espionagem econômica e sete de roubo de segredos comerciais — após um julgamento de 11 dias em um tribunal federal em São Francisco. Cada acusação de espionagem pode resultar em até 15 anos de prisão e multa de US $ 5 milhões, enquanto cada acusação de roubo de segredos comerciais pode levar a até 10 anos de prisão e multa de US $ 250 mil.
Como o roubo aconteceu
Procuradores disseram que Ding, que ingressou no Google em 2019, começou a transferir arquivos confidenciais entre maio de 2022 e abril de 2023 enquanto ainda empregado na empresa. Ele usou seu acesso à rede interna do Google para copiar mais de 2 000 páginas de documentos altamente sensíveis, incluindo detalhes sobre a infraestrutura de supercomputação dos centros de dados do Google — que treinam e executam modelos avançados de IA — e especificações de hardware e software relacionados a chips TPU e GPU.
Para ocultar suas ações, Ding supostamente carregou os documentos em sua conta pessoal do Google Cloud e, pouco antes de sua saída em dezembro de 2023, também os baixou em seu computador.
Relação com empresas chinesas
Durante o período em que estava roubando os segredos, Ding teria mantido contatos secretos com duas empresas de tecnologia com base na China, incluindo um cargo de liderança em uma delas. Segundo evidências apresentadas no julgamento, ele buscava usar o material confidencial para desenvolver tecnologia competitiva de IA nesses negócios, chegando a afirmar a investidores que poderia replicar e até superar a capacidade tecnológica do Google.
Repercussões e contexto
O caso foi coordenado por uma força‑tarefa interagências americana voltada a combater o desvio ilícito de tecnologia sensível, em um momento em que governos e empresas intensificam esforços para proteger inovações estratégicas em inteligência artificial e computação avançada.
O ex‑engenheiro deve aparecer em uma nova audiência processual no início de fevereiro de 2026, enquanto a sentença final ainda não foi divulgada.