O governo da Alemanha anunciou nesta terça‑feira (27) uma recompensa de 1 milhão de euros por informações que levem à captura dos responsáveis pelo ataque de sabotagem que provocou um apagão prolongado em Berlim no início de janeiro, no que as autoridades tratam agora como ato terrorista contra infraestrutura crítica. A oferta, considerada excepcional em magnitude, reflete a gravidade com que o caso tem sido tratado pelas forças de segurança do país, que enfrentam dificuldades para identificar os suspeitos.
O ataque, ocorrido em 3 de janeiro de 2026, deixou cerca de 45 000 domicílios e mais de 2 200 empresas sem eletricidade e aquecimento por vários dias em pleno inverno, após um incêndio deliberado em cabos de alta tensão que conectam uma subestação no sudoeste da capital. Foi o maior blecaute em Berlim desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Quem é a “Vulkangruppe”?
As investigações apontam para um grupo de extrema esquerda conhecido como “Vulkangruppe” (Grupo Vulcão) como principal suspeito do ataque. Esse coletivo, classificado por autoridades de segurança alemãs como organização de extrema‑esquerda extremista, tem sido associado a uma série de atos de sabotagem contra infraestrutura crítica e empresas industriais na região de Berlim desde pelo menos 2011.
Membros ou simpatizantes dessa rede reivindicaram responsabilidade pelo blecaute em várias declarações publicadas online, alegando que o alvo era a “economia de combustíveis fósseis” e a infraestrutura energética que, segundo eles, contribui para a crise climática. Em um dos pronunciamentos, o grupo afirmou que a ação visava “sugar a energia da Terra” como parte de sua luta contra sistemas que consideram exploradores.
As autoridades de segurança acreditam que a “Vulkangruppe” não é uma organização centralizada com uma hierarquia formal, mas sim uma rede descentralizada de células e ativistas anarquistas e ecologistas radicais, que usam um mesmo nome para reivindicar ataques e ganhar visibilidade para suas causas. A própria natureza difusa do grupo torna mais difícil para a polícia identificar líderes ou integrantes específicos.
Esse coletivo já foi ligado a ataques anteriores, incluindo incêndios em cabos de energia que interromperam temporariamente a produção em uma fábrica da Tesla nos arredores de Berlim em 2024 e outros atos de sabotagem contra linhas ferroviárias, antenas e infraestrutura de transmissão de dados.
Recompensa e resposta governamental
O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, declarou que o prêmio financeiro pretende estimular o surgimento de pistas concretas e sublinhou a necessidade de reforçar o combate ao extremismo de esquerda, além de outras formas de radicalismo. Ele também anunciou planos para reforçar agências de inteligência doméstica, ampliar ferramentas de investigação digital e propor legislação para proteger melhor as infraestruturas críticas do país.
A recompensa estará disponível por um período limitado, com a polícia aceitando dicas por telefone ou online, e o governo pretende lançar uma campanha de conscientização nos transportes públicos de Berlim para ampliar a coleta de informações.
Impacto do ataque
O blecaute em Berlim expôs vulnerabilidades na rede elétrica da cidade e reacendeu debates sobre a segurança das infraestruturas essenciais na Europa, num momento em que países aliados enfrentam preocupações crescentes com ataques deliberados, sabotagem e tentativas de desestabilização interna. Além do setor público, empresas e sistemas críticos estão sendo incentivados a revisar seus protocolos de proteção.
Autoridades defendem que, apesar da gravidade do ataque, a “capacidade de transmissão humana” de grupos como o Vulkangruppe é diferente do tipo de propagação de vírus ou ondas de violência generalizada — o risco maior está no dano direto a equipamentos e serviços essenciais, e não em contágio social ou biológico.