A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) deu um passo decisivo rumo à privatização. Na madrugada desta sexta-feira (24), após mais de dez horas de sessão, os deputados estaduais aprovaram, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, que dispensa a realização de referendo popular para autorizar a venda ou federalização da empresa. O placar ficou em 52 votos favoráveis e 18 contrários.
A medida, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), é considerada essencial para destravar o processo de desestatização da Copasa, uma das principais companhias de saneamento do país. O texto ainda precisa ser analisado em segundo turno antes de seguir para promulgação. A proposta volta agora à Comissão Especial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para emissão de parecer e deve retornar ao plenário nos próximos dias.
Durante a votação, que se estendeu até as 4h30 da madrugada, a oposição tentou obstruir os trabalhos com requerimentos e longos discursos, mas não conseguiu barrar o avanço do texto. As galerias da Casa ficaram lotadas de manifestantes contrários à privatização, enquanto grupos favoráveis ao projeto também se concentraram do lado de fora do Palácio da Inconfidência, sede da ALMG.
A PEC 24/23 revoga o trecho da Constituição Estadual que previa a obrigatoriedade de consulta popular para a venda de estatais mineiras. O novo texto permite que a privatização ou federalização da Copasa ocorra sem referendo, desde que os recursos obtidos sejam utilizados para o pagamento da dívida do Estado com a União, estimada em R$ 170 bilhões.
O projeto faz parte da estratégia do governo Zema para aderir ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), iniciativa federal que prevê a redução de 20% do saldo devedor e juros zero, desde que o Estado destine parte das receitas provenientes de privatizações e concessões à quitação do débito.
Segundo o governo, a desestatização permitiria atrair investimentos privados para ampliar os serviços de saneamento e cumprir as metas de universalização até 2033, conforme determina o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020). Já os críticos da proposta, liderados pelo deputado Ulysses Gomes (PT), afirmam que a medida representa a retirada do direito de participação popular e pode comprometer o acesso à água e ao esgoto em regiões mais pobres.
A base governista votou majoritariamente a favor da proposta, incluindo bancadas do PSD, PL, PP, Republicanos e União Brasil. Um dos poucos dissidentes foi o deputado Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que se posicionou publicamente contra a PEC. Ao todo, 70 dos 77 deputados participaram da sessão — o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), conduziu os trabalhos e não vota.
Se for aprovada também em segundo turno, a emenda constitucional abrirá caminho para a privatização efetiva da Copasa (CSMG3), listada na Bolsa de Valores (B3), e poderá gerar repercussões políticas e econômicas em todo o Estado. O governo mineiro afirma que o processo trará ganhos de eficiência e redução de custos, enquanto sindicatos e movimentos sociais prometem intensificar a mobilização contra a venda.

Veja, abaixo, como votou cada deputado estadual em relação à PEC que retira a obrigatoriedade de consulta popular para privatização da Copasa.
Deputados estaduais que votaram a favor da PEC do referendo:
- Adalclever Lopes (PSD)
- Adriano Alvarenga (PP)
- Alencar da Silveira Jr. (PDT)
- Amanda Teixeira Dias (PL)
- Antônio Carlos Arantes (PL)
- Arlen Santiago (Avante)
- Arnaldo Silva (União)
- Betinho Pinto Coelho (PV)
- Bim da Ambulância (Avante)
- Bosco (Cidadania)
- Bruno Engler (PL)
- Carlos Henrique (Republicanos)
- Carol Caram (Avante)
- Cássio Soares (PSD)
- Charles Santos (Republicanos)
- Chiara Biondini (PP)
- Coronel Henrique (PL)
- Delegada Sheila (PL)
- Delegado Christiano Xavier (PSD)
- Doorgal Andrada (PRD)
- Doutor Paulo (PRD)
- Doutor Wilson Batista (PSD)
- Dr. Mauricio (Novo)
- Duarte Bechir (PSD)
- Enes Cândido (Republicanos)
- Gil Pereira (PSD)
- Grego (PMN)
- Gustavo Santana (PL)
- Gustavo Valadares (PSD)
- Ione Pinheiro (União)
- João Magalhães (MDB)
- Leandro Genaro (PSD)
- Leonídio Bouças (PSDB)
- Lincoln Drummond (PL)
- Lud Falcão (Pode)
- Maria Clara Marra (PSDB)
- Marli Ribeiro (PL)
- Mauro Tramonte (Republicanos)
- Nayara Rocha (PP)
- Neilando Pimenta (PSB)
- Noraldino Júnior (PSC)
- Oscar Teixeira (PP)
- Professor Wendel Mesquita (Solidariedade)
- Rafael Martins (PSD)
- Raul Belém (Cidadania)
- Roberto Andrade (PRD)
- Rodrigo Lopes (União)
- Thiago Cota (PDT)
- Tito Torres (PSD)
- Vitorio Junior (PP)
- Zé Guilherme (PP)
- Zé Laviola (Novo)
Deputados estaduais que votaram contra a PEC do referendo:
- Ana Paula Siqueira (Rede)
- Andréia de Jesus (PT)
- Beatriz Cerqueira (PT)
- Bella Gonçalves (Psol)
- Betão (PT)
- Celinho do Sinttrocel (PCdoB)
- Cristiano Silveira (PT)
- Doutor Jean Freire (PT)
- Eduardo Azevedo (PL)
- Hely Tarquínio (PV)
- Leleco Pimentel (PT)
- Leninha (PT)
- Lohanna (PV)
- Luizinho (PT)
- Marquinho Lemos (PT)
- Professor Cleiton (PV)
- Ricardo Campos (PT)
- Ulysses Gomes (PT)
Deputados que não estavam presentes na votação:
- Caporezzo (PL)
- Elismar Prado (PSD)
- João Vítor Xavier (Cidadania – licenciado)
- Lucas Lasmar (Rede)
- Mário Henrique Caixa (PV)
- Sargento Rodrigues (PL)
*O presidente Tadeu Leite (MDB), responsável por conduzir os trabalhos, não vota