A União Europeia condenou nesta segunda-feira (22) a decisão da China de impor tarifas provisórias de até 42,7% sobre produtos lácteos europeus, classificando a medida como injustificada e de caráter retaliatório, em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Pequim e Bruxelas. As novas taxas devem entrar em vigor a partir desta semana e atingem itens como leite em pó, manteiga e queijos exportados pelo bloco europeu.
Em comunicado, a Comissão Europeia afirmou que as conclusões preliminares da investigação chinesa sobre supostos subsídios europeus ao setor de laticínios carecem de fundamentos técnicos e evidências suficientes. Para Bruxelas, a decisão representa mais um episódio da escalada comercial entre as duas partes, após a UE ter anunciado, nos últimos meses, tarifas adicionais sobre veículos elétricos fabricados na China.
Autoridades europeias avaliam que a medida chinesa tem forte viés político e pode causar impacto significativo aos produtores do bloco, especialmente em países com forte presença no mercado asiático. A China é um dos principais destinos das exportações de laticínios da União Europeia, e o aumento das tarifas tende a reduzir a competitividade dos produtos europeus no país.
Pequim, por sua vez, sustenta que as tarifas são resultado de uma investigação sobre práticas de subsídios que teriam prejudicado a indústria chinesa, argumento que é rejeitado pela UE. Bruxelas afirma que respeita as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e estuda possíveis respostas diplomáticas e legais para contestar a decisão.
O episódio amplia a tensão nas relações comerciais entre a União Europeia e a China, que já enfrentam disputas em setores estratégicos como energia, indústria automotiva e tecnologia, e levanta preocupações sobre novos desdobramentos em uma guerra comercial de efeitos globais.