O bloqueio ao acesso do jornal sueco Expressen na Colômbia abriu uma crise política em Bogotá e reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa no país. A restrição ocorreu poucos dias depois de o veículo publicar uma reportagem que detalhava supostos gastos de luxo da primeira-dama Verónica Alcocer durante sua estadia na Suécia. A parlamentar Katherine Miranda, uma das principais vozes da oposição, classificou o episódio como “grave” e pediu explicações formais ao governo, afirmando que há indícios de censura.
Governo confirma bloqueio, mas nega motivação política
Segundo documentos divulgados pela própria congressista, o Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicações (MinTIC) confirmou que o domínio Expressen.se consta desde 31 de outubro de 2025 na “lista única de sites a bloquear”, administrada pela entidade reguladora Coljuegos. A justificativa oficial aponta que o endereço teria sido incluído por suposta relação com “apostas ilícitas”, argumento que gerou estranhamento entre especialistas e parlamentares.
Miranda questiona a explicação: para ela, o portal sueco estava funcionando normalmente no país até a publicação da matéria sobre Alcocer — o que tornaria incoerente a tese de que o site estava restrito há mais de um mês. “Não faz sentido que um jornal europeu seja tratado como plataforma de jogos. Isso exige uma investigação séria”, afirmou.

Reportagem detonou crise
A polêmica teve início após o Expressen divulgar uma investigação apontando que Verónica Alcocer estaria vivendo na Suécia com um padrão de vida luxuoso, incluindo hospedagens caras e participação em eventos exclusivos. O conteúdo ganhou grande repercussão não apenas na Europa, mas também na Colômbia, onde opositores passaram a cobrar esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados pela primeira-dama no país escandinavo.
Pouco depois, usuários começaram a relatar dificuldades de acesso ao portal sueco. A parlamentar então apresentou um “direito de petição” ao MinTIC solicitando esclarecimentos. A resposta, confirmando o bloqueio, acendeu um alerta no Legislativo.
Denúncia de censura repercute na imprensa
Veículos como Semana, W Radio, Asuntos Legales e IFM Noticias repercutiram as declarações da congressista, que classificou a situação como “inaceitável”. Para ela, o episódio pode representar um precedente perigoso, especialmente por envolver uma reportagem crítica à família presidencial.
Segundo análise de juristas ouvidos por esses veículos, o bloqueio por motivos técnicos “não se sustenta” sem uma explicação mais detalhada sobre o suposto vínculo do jornal com jogos de azar. Já organizações de imprensa alertam que, ainda que não haja confirmação de censura direta, a falta de transparência do processo já representa uma ameaça à liberdade de informação.
Debate sobre liberdade de imprensa se intensifica
O caso se soma a discussões recentes sobre o ambiente de liberdade de expressão na Colômbia. Oposição e entidades de direitos digitais pedem que o governo apresente provas que sustentem a classificação do site sueco na lista de bloqueio, e exigem que a decisão seja revista imediatamente.
Enquanto isso, o Expressen segue inacessível para parte dos usuários colombianos, e a controvérsia continua alimentando críticas ao governo. Para Katherine Miranda, o episódio vai além de um problema técnico: “Quando um governo bloqueia o acesso a uma reportagem crítica, sem explicações convincentes, o risco de censura deixa de ser hipótese e se torna uma preocupação real.”