A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, alcançou nesta quinta-feira (2) a marca de US$ 500 bilhões de valor de mercado (cerca de R$ 2,8 trilhões), segundo a Bloomberg. Com o novo patamar, a companhia liderada por Sam Altman ultrapassou a SpaceX, de Elon Musk, avaliada em US$ 400 bilhões, e assumiu o posto de startup mais valiosa do planeta.
O salto no valuation ocorreu após uma venda secundária de ações que movimentou US$ 6,6 bilhões. O negócio envolveu papéis de funcionários e ex-funcionários, adquiridos por investidores como Thrive Capital, SoftBank, Dragoneer, MGX Abu Dhabi e T. Rowe Price. O volume final ficou abaixo dos US$ 10 bilhões autorizados, sinal de que parte dos colaboradores preferiu manter participação, numa aposta no futuro da empresa.
Crescimento acelerado, mas gastos bilionários
Apesar da valorização recorde, a OpenAI ainda não é lucrativa. A companhia registrou US$ 4,3 bilhões em receita no primeiro semestre de 2025, alta de 16% em relação a todo o ano anterior. Porém, no mesmo período, queimou US$ 2,5 bilhões em custos operacionais, a maior parte em pesquisa e desenvolvimento. O setor consumiu sozinho US$ 6,7 bilhões, reflexo da corrida para manter a liderança em inteligência artificial.
Mesmo com caixa robusto de US$ 17,5 bilhões, analistas projetam que a empresa pode encerrar 2025 com prejuízo superior a US$ 8 bilhões. Para especialistas, a OpenAI vive o dilema clássico das big techs em fase de hiperexpansão: equilibrar crescimento explosivo com sustentabilidade financeira.
Parcerias globais e o projeto Stargate
Para sustentar a escalada, a OpenAI firmou acordos bilionários. A Nvidia anunciou investimento de até US$ 100 bilhões, além de fornecer chips essenciais para data centers de IA. Já a Oracle assinou um contrato de US$ 300 bilhões em cinco anos para infraestrutura em nuvem.
Outro destaque é o projeto Stargate, que reúne Samsung e SK hynix em uma parceria para produzir semicondutores e construir novos centros de dados. A iniciativa prevê a entrega de 900 mil wafers até 2029 e a instalação de data centers de 20 MW na Coreia do Sul, consolidando o país como polo estratégico de IA.
Produtos e expansão de mercado
Além dos negócios, a OpenAI segue ampliando seu portfólio. Em agosto, lançou o GPT-5, descrito como seu modelo mais avançado, voltado para tarefas de escrita e programação. Também apresentou modelos de código aberto capazes de simular processos de raciocínio humano, em resposta à concorrente chinesa DeepSeek.
Na área de conteúdo, Sam Altman revelou o Sora 2, ferramenta de vídeo generativo com imagens mais realistas, áudio integrado e recursos sociais no estilo TikTok. O lançamento levanta debates sobre ética e uso responsável, já que permitirá a criação de vídeos “deepfake” mediante consentimento dos usuários.
Disputa global pela inteligência artificial
Com a nova avaliação, a OpenAI se consolida como epicentro da corrida pela inteligência artificial. Mas enfrenta pressões crescentes: de um lado, investidores que apostam trilhões em sua expansão; de outro, críticos que alertam para os riscos de governança, dependência de parceiros estratégicos e impactos sociais da tecnologia.
Para o mercado, a mensagem é clara: a OpenAI deixou de ser apenas uma startup promissora para se tornar um ativo estratégico da economia digital global.