Uma forte tempestade de neve atingiu a encosta oriental do Monte Everest, na região do Tibete, deixando cerca de mil alpinistas presos entre os dias 4 e 6 de outubro. Pelo menos um alpinista morreu por hipotermia, enquanto mais de 350 pessoas foram resgatadas por equipes de emergência chinesas. Outras 200 permanecem isoladas em acampamentos a quase 5 mil metros de altitude.
A nevasca começou na noite de sexta-feira (4) e surpreendeu os montanhistas que participavam de trilhas durante o feriado da Semana Dourada, período de grande fluxo turístico na China. Segundo a emissora estatal CCTV, os socorristas conseguiram estabelecer contato com os grupos presos e orientaram o deslocamento para pontos de encontro seguros.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram barracas soterradas e trilhas completamente cobertas por neve. Uma das alpinistas resgatadas relatou que seu grupo caminhou por dois dias até alcançar o centro de resgate, com apoio de bombeiros que usaram iaques e cavalos para abrir caminho.
Além do Everest, a nevasca causou estragos na província de Qinghai, onde outro alpinista morreu por exposição ao frio. No total, mais de 130 pessoas foram resgatadas nessa região, com o auxílio de drones e centenas de socorristas.
A cidade de Qudang, próxima ao acampamento base do Everest, recebeu os alpinistas resgatados. A trilha do Vale de Karma, onde muitos ainda estão presos, é conhecida por sua altitude extrema e condições imprevisíveis. Um dos campistas relatou que a neve chegou a um metro de profundidade, destruindo barracas e bloqueando rotas de fuga.
Impacto regional
A tempestade no Himalaia coincidiu com eventos climáticos extremos em países vizinhos. No Nepal, chuvas intensas e deslizamentos de terra deixaram ao menos 47 mortos. Na Índia, inundações repentinas causaram 24 mortes. Especialistas alertam que as mudanças climáticas têm intensificado as monções no sul da Ásia, tornando os padrões de chuva mais imprevisíveis e perigosos.
Acesso restrito e controle de informações
A Região Autônoma do Tibete, onde ocorreu o desastre, é de difícil acesso para jornalistas e estrangeiros. O governo chinês mantém rígido controle sobre o fluxo de informações, o que dificulta a verificação independente dos dados. Durante crises, esse bloqueio é ainda mais acentuado.
Apesar disso, a mídia estatal chinesa tem divulgado atualizações sobre os esforços de resgate e as condições climáticas extremas que atingem o Himalaia neste mês de outubro.