A exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá e do Pará, é um dos temas mais controversos do setor energético brasileiro em 2025. Uma pesquisa recente do Datafolha, encomendada pela organização Eko, revela que 61% dos brasileiros são contrários à atividade na região, considerada de alta sensibilidade ambiental, enquanto apenas 27% apoiam e 12% não têm opinião formada. A rejeição é ainda mais forte entre os jovens de 16 a 24 anos, com 73% se posicionando contra a exploração.
A área em questão, conhecida como Bacia da Foz do Amazonas ou Margem Equatorial, abrange cerca de 283 mil km² em águas profundas e ultraprofundas. Desde junho de 2025, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) leiloou 19 blocos da região, arrematados por consórcios que incluem Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC Brasil. O governo federal defende que a exploração poderá ampliar reservas, gerar empregos e contribuir para a segurança energética do país.
Apesar do interesse econômico, a exploração enfrenta barreiras significativas. O Ibama ainda precisa conceder a licença ambiental definitiva, e estudos técnicos e simulações de emergência foram conduzidos pela Petrobras para avaliar os impactos e riscos da operação. Especialistas alertam que a região abriga recifes de corais, manguezais e fauna marinha sensível, além de comunidades tradicionais, como pescadores, indígenas e quilombolas, que poderiam ser afetadas por possíveis acidentes.
Os riscos ambientais e sociais, somados à opinião pública contrária, tornam o avanço do projeto um desafio político e regulatório. Analistas também apontam que a exploração de petróleo em áreas ultraprofundas da Amazônia levanta questionamentos sobre o compromisso do Brasil com metas climáticas globais, já que a atividade envolve a extração de combustíveis fósseis em um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
Enquanto o debate se intensifica, a sociedade acompanha de perto os próximos passos do governo e das empresas envolvidas, com a licença ambiental do Ibama sendo o próximo marco decisivo para definir se o projeto seguirá adiante ou permanecerá em estudo, diante da forte rejeição popular.
