Com a chegada do verão, que se inicia no próximo dia 21, e o aumento significativo das temperaturas, muitas pessoas aproveitam o período para frequentar praias e piscinas. A mudança na rotina, aliada ao calor intenso, exige atenção redobrada não apenas à alimentação e ao consumo adequado de líquidos, mas também aos cuidados com a pele, incluindo proteção solar e medidas para prevenir problemas típicos da estação, especialmente os relacionados à exposição ao sol e ao calor intenso.
Segundo o relatório “Clima em síntese: Estudos sobre saúde e ondas de calor no Brasil (2015–2025)”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, períodos de “ondas de calor”, isto é, quando as temperaturas permanecem anormalmente elevadas por vários dias, estão associados ao aumento do risco de desidratação, ao agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias e à maior vulnerabilidade entre crianças, idosos e pessoas com condições crônicas1. Por isso, reforçar a ingestão de líquidos e priorizar o consumo de alimentos leves e frescos torna-se ainda mais importante durante a estação.
A nutricionista Thaís Sarian, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, alerta que a chegada do verão exige atenção redobrada com a saúde. Segundo a especialista, a hidratação deve ser constante ao longo do dia, mesmo na ausência de sede, já que o calor aumenta a perda de líquidos e minerais pela transpiração. Além da água, bebidas como água de coco, chás gelados sem açúcar e água aromatizada com frutas também contribuem para a hidratação e reposição de líquidos perdidos com o calor.
Thais explica que manter uma alimentação equilibrada é fundamental, inclusive em momentos de lazer. “As altas temperaturas favorecem a deterioração rápida dos alimentos, especialmente aqueles consumidos na praia ou adquiridos de ambulantes. É fundamental observar as condições de preparo, armazenamento e higiene, além da validade dos produtos”, orienta. A nutricionista recomenda priorizar a ingestão frutas, vegetais, proteínas magras, como frango e peixe, e preparações frias, por serem leves, refrescantes e de fácil digestão.
Com as altas temperaturas do verão, aumentam os riscos de queimaduras solares. A dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Larissa Montanheiro, explica que as roupas com proteção UV (FPU) são excelentes aliadas nesse período, mas não substituem totalmente o uso do protetor solar. “Elas funcionam como uma barreira física muito eficaz, desde que tenham FPU 30 ou, preferencialmente, 50+. Ainda assim, o filtro solar continua essencial nas áreas descobertas, como rosto, pescoço, orelhas, nuca, dorso das mãos, tornozelos e peito dos pés”, orienta.
A especialista reforça que é importante verificar a certificação da peça e optar por tecidos com trama mais fechada, boa composição (como poliamida e poliéster) e aditivos incorporados ao fio, que mantêm a proteção mesmo após lavagens.
Dra. Larissa também destaca que o suor pode desencadear diferentes tipos de dermatites, especialmente em dobras e áreas de maior atrito. Entre as mais comuns estão a dermatite irritativa pelo suor, a brotoeja, o intertrigo (dermatite das dobras por infecção fúngica), e a dermatite colinérgica, conhecida popularmente como “alergia ao suor”, marcada por lesões na pele que coçam intensamente após aumento da temperatura corporal. Além disso, o suor facilita reações alérgicas de contato, agravando irritações provocadas por tecidos sintéticos, corantes, fragrâncias e até pelo protetor solar.
A diferenciação entre cada quadro nem sempre é simples e, segundo a dermatologista, alguns sinais podem ajudar. “A irritação por suor costuma causar ardência e vermelhidão por toda área de suor intenso. As alergias apresentam coceira intensa e podem formar pequenas bolhas nas áreas de contato. Já as infecções fúngicas deixam a pele muito vermelha, úmida e brilhante. Quando há sinais de infecção bacteriana, podem surgir dor, secreção, formação de pus e mau cheiro”, explica.
É importante procurar atendimento médico em casos de dor significativa, piora progressiva das lesões, presença de pústulas ou secreção, febre, áreas muito extensas ou quando não há melhora em até 72 horas, mesmo após medidas simples como manter a pele seca, lavar suavemente a região e evitar o uso de produtos irritantes. Para bebês e crianças, qualquer lesão que evolua rapidamente ou cause incômodo importante merece avaliação especializada.