Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2006 e 2024, a proporção de adultos que declararam ter recebido diagnóstico médico de diabetes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 5,5% para 12,9%.
Na prática, isso significa que a prevalência mais que dobrou no período: um crescimento de aproximadamente 135% em 18 anos. E a tendência mais recente é ainda mais preocupante. Entre 2019 e 2024, o percentual passou de 8,2% para 12,9%.
O levantamento é feito pelo Vigitel, sistema do Ministério da Saúde que acompanha anualmente fatores de risco e doenças crônicas. Desde 2006, o programa já realizou cerca de 900 mil entrevistas e monitora indicadores como diabetes, hipertensão, obesidade, alimentação e atividade física.
O crescimento não aconteceu por acaso
Especialistas relacionam o avanço do diabetes a uma combinação de fatores.
Entre eles estão o envelhecimento da população, o aumento do excesso de peso e da obesidade, alimentação inadequada, baixo nível de atividade física e outros fatores associados ao estilo de vida.
O crescimento da obesidade ajuda a dimensionar o problema.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a proporção de adultos com obesidade passou de aproximadamente 11,9% em 2006 para 24,3% em 2023. Ou seja, mais que dobrou em menos de duas décadas.
Outro dado chama atenção: em 2024, 14,3% das mulheres adultas entrevistadas nas capitais e no Distrito Federal relataram diagnóstico médico de diabetes, contra 6,3% em 2006. Entre os homens, o índice também aumentou significativamente.
Divinópolis: Quase 13 mil pessoas acompanhadas
O problema também aparece de forma concreta nos municípios mineiros.
Em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, quase 13 mil pessoas com diabetes eram acompanhadas pela Prefeitura em 2025.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mais de 9 mil desses pacientes eram idosos.
O município mantém grupos de acompanhamento, atividades físicas, rodas de conversa e orientação profissional, além de atendimento médico, de enfermagem, nutricional, farmacêutico e odontológico.
A Prefeitura também destaca o acompanhamento realizado pelos agentes comunitários de saúde, inclusive nas residências dos pacientes.
O número mostra a dimensão que uma doença crônica pode alcançar dentro da rede pública de saúde de uma cidade de médio porte.
E há um detalhe importante: Divinópolis não pertence à Zona da Mata mineira. O município está localizado na região Centro-Oeste de Minas Gerais.
Medicamentos: Tratamento exige acompanhamento
Com o aumento do número de pessoas diagnosticadas, cresce também a necessidade de acesso contínuo a medicamentos.
O tratamento do diabetes varia de acordo com o tipo da doença, as condições de saúde do paciente e a avaliação médica.
Entre os medicamentos mais conhecidos estão a metformina, diferentes tipos de insulina e, mais recentemente, medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1.
Esses últimos ganharam enorme popularidade nos últimos anos, principalmente medicamentos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida.
Mas o crescimento da procura também trouxe um problema: o mercado irregular.
Alerta da anvisa sobre canetas de GLP-1
Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária intensificou a fiscalização sobre produtos irregulares envolvendo medicamentos agonistas de GLP-1.
A Anvisa informa que já foram adotadas diversas medidas para proibir importação, transporte, armazenamento, comercialização e uso de produtos irregulares contendo substâncias como semaglutida e tirzepatida.
Em setembro, por exemplo, a Agência proibiu a importação, armazenamento, distribuição, comercialização, propaganda e uso da chamada caneta T36, por não possuir registro sanitário no Brasil e não ter tido sua segurança e eficácia avaliadas pela Anvisa.
A Agência também determinou ações contra outros produtos comercializados irregularmente, incluindo produtos que se apresentavam como medicamentos para emagrecimento ou tratamento relacionado ao diabetes.
Não é uma proibição do ozempic ou de todos os GLP-1
É importante fazer uma distinção.
A Anvisa não proibiu os medicamentos regularizados para diabetes simplesmente por pertencerem à classe dos GLP-1.
Pelo contrário: em 2026, a Agência aprovou novos medicamentos e novas canetas de semaglutida para tratamento do diabetes, depois da avaliação de segurança, eficácia e qualidade.
O alvo das proibições são principalmente produtos sem registro, falsificados, de origem desconhecida ou comercializados fora das regras sanitárias.
Por isso, a orientação é que o paciente não compre medicamentos de diabetes ou canetas injetáveis por sites desconhecidos, redes sociais ou vendedores sem autorização.
O caso da Retatrutida
Outro alerta importante envolve a retatrutida.
Apesar da enorme divulgação nas redes sociais, a Anvisa esclarece que a substância ainda é experimental e não está aprovada para venda em nenhum lugar do mundo.
O medicamento continua em fase de estudos clínicos e ainda não teve seu registro solicitado às autoridades regulatórias internacionais.
Segundo a Anvisa, produtos vendidos ilegalmente como retatrutida podem não conter sequer a substância anunciada, além de apresentarem riscos relacionados à dose, fabricação, armazenamento e contaminação.
O que o paciente deve fazer?
Para quem tem diabetes, a principal recomendação é não interromper nem modificar o tratamento por conta própria.
A falta de medicamento ou a interrupção inadequada da terapia pode provocar descontrole da glicemia e aumentar o risco de complicações.
Também é fundamental desconfiar de promessas de cura rápida, medicamentos vendidos sem receita quando a prescrição é exigida e produtos comercializados fora de farmácias e drogarias regularizadas.
A Anvisa reforça que medicamentos adquiridos fora dos canais autorizados podem não ter garantia de procedência, composição, conservação ou eficácia.
Um problema que vai além da glicose
O diabetes não é apenas uma alteração na taxa de açúcar no sangue.
Quando não controlado adequadamente, pode provocar complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e oftalmológicas, além de problemas nos pés e maior risco de infecções.
Por isso, o aumento do número de casos representa também uma pressão crescente sobre o sistema público e privado de saúde.
O desafio envolve diagnóstico precoce, acompanhamento médico, alimentação adequada, atividade física, acesso aos medicamentos e adesão ao tratamento.
Conclusão
Os números do Ministério da Saúde deixam uma mensagem clara: o diabetes avançou fortemente no Brasil nas últimas duas décadas.
A proporção de adultos que relatam diagnóstico médico passou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024.
Em Divinópolis, quase 13 mil pessoas estavam sendo acompanhadas pela rede municipal em 2025, mostrando como o problema já faz parte da rotina dos serviços de saúde.
Ao mesmo tempo em que aumenta a oferta de novos medicamentos, cresce também a preocupação com produtos irregulares, principalmente as chamadas canetas de GLP-1.
A recomendação para o paciente é simples, mas fundamental: medicamento para diabetes deve ser utilizado com orientação profissional e adquirido em canais autorizados.
E diante de qualquer mudança no tratamento, a orientação é conversar primeiro com o médico ou profissional de saúde responsável.
Porque, quando o assunto é diabetes, informação correta, acompanhamento contínuo e tratamento adequado podem fazer toda a diferença.
Uma correção editorial que eu considero importante para a C-COM: eu usaria “quase 13 mil pessoas com diabetes acompanhadas pela Prefeitura de Divinópolis”, em vez de “13,7 mil pessoas”, porque é exatamente o número que consta na fonte oficial municipal que localizei.
E também evitaria o título “Anvisa proíbe um dos principais medicamentos contra diabetes”, porque ele pode induzir o ouvinte a entender que medicamentos regularizados, como Ozempic ou outros GLP-1 aprovados, foram proibidos. O fato jornalístico correto é “Anvisa intensifica proibição e fiscalização de medicamentos GLP-1 irregulares”.