Com o avanço do verão e a intensificação das ondas de calor, especialistas em saúde reforçam o alerta: a prevenção do câncer de pele deve ser contínua e ainda mais rigorosa neste período do ano, quando a exposição ao sol se torna mais frequente e prolongada. Mesmo com o fim da campanha Dezembro Laranja, dedicada à conscientização sobre a doença, médicos destacam que os cuidados precisam ser incorporados à rotina diária da população.
O câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil e representa cerca de 30% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. As altas temperaturas, aliadas aos hábitos típicos da estação — como idas à praia, piscina e atividades ao ar livre — aumentam significativamente o risco de lesões cutâneas e do agravamento de quadros já existentes, sobretudo devido à radiação ultravioleta (UV).
Situação em Minas Gerais preocupa
Em Minas Gerais, o câncer de pele segue como um importante desafio de saúde pública. Dados mostram que o estado registrou 8.209 casos em 2022, 9.254 em 2023, 6.604 em 2024 e 3.512 casos até dezembro de 2025. Do total acumulado no período, 2.027 correspondem ao melanoma maligno, forma mais agressiva da doença, enquanto 25.552 são de câncer de pele não melanoma, mais frequente e geralmente associado ao efeito cumulativo da exposição solar.
A mortalidade também chama atenção. Entre 2022 e 2025, foram registrados 1.866 óbitos por câncer de pele em Minas, sendo 92,6% em pessoas com 50 anos ou mais. A faixa etária acima de 80 anos concentrou o maior número de mortes, com 842 registros. Do total de óbitos, 626 foram causados por melanoma e 1.240 por câncer de pele não melanoma.
Impacto regional
Na região Centro-Oeste de Minas, o volume de atendimentos reforça a dimensão do problema. O Hospital do Câncer de Divinópolis contabilizou, somente em 2025, 6.014 atendimentos em consultas, envolvendo 3.253 pacientes. Na área dermatológica, foram realizados 981 procedimentos ambulatoriais e 1.950 procedimentos cirúrgicos no Ambulatório de Pele do Centro Oncológico da Acom.
Tipos e gravidade da doença
De acordo com o médico Gil Patrus Mundim Pena, da Coordenação de Vigilância de Doenças e Agravos Crônicos Não Transmissíveis e Câncer da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o câncer de pele reúne doenças com comportamentos distintos.
“O tipo mais agressivo é o melanoma, que pode causar metástases e levar ao óbito, inclusive quando a lesão inicial é pequena”, explica.
Já os cânceres de pele não melanoma incluem, principalmente, o carcinoma basocelular, mais comum e associado ao acúmulo de exposição solar ao longo da vida, e o carcinoma de células escamosas, também relacionado ao sol e geralmente identificado mais cedo por surgir em áreas visíveis do corpo.
Regra do ABCDE ajuda no diagnóstico precoce
Para facilitar a identificação de sinais suspeitos, profissionais de saúde utilizam a regra do ABCDE, que avalia:
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Assimetria
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Bordas irregulares
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Cor variada
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Diâmetro aumentado
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Evolução da lesão ao longo do tempo
Pintas ou feridas que mudam de tamanho, forma ou cor, sangram ou não cicatrizam devem ser avaliadas por um profissional de saúde o quanto antes.
Verão exige cuidados reforçados
Segundo a professora Cíntia Persegona, do curso de Estética e Cosmética do Centro Universitário UNICEPLAC, o verão combina fatores que aumentam a vulnerabilidade da pele.
“Os banhos mais frequentes, o cloro e a água salgada podem agredir a pele. A exposição solar excessiva, sem proteção adequada, pode causar queimaduras e, a longo prazo, envelhecimento precoce e câncer de pele”, alerta.
Ela destaca que o uso do protetor solar é indispensável, com FPS entre 30 e 60, reaplicado a cada duas ou três horas. Para o rosto, a recomendação são protetores com cor, que também protegem contra a luz visível.
Hidratação e proteção física
A hidratação, tanto interna quanto externa, é outro ponto essencial. Produtos com ácido hialurônico, ceramidas e colágeno ajudam a manter a barreira cutânea, enquanto o consumo de pelo menos dois litros de água por dia contribui para a saúde da pele.
“Vale lembrar que o mormaço também queima. A proteção deve ser mantida mesmo quando o sol não parece tão forte”, reforça Cíntia.
O dermatologista Raul Cartagena Rossi, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), acrescenta que o aumento da radiação solar no verão eleva o risco de queimaduras, manchas, fotoenvelhecimento e câncer de pele. “O ressecamento causado pelo sol faz com que a pele produza mais sebo, o que pode levar ao surgimento de acne, especialmente quando há poluição associada”, explica.
Prevenção deve ser permanente
Especialistas são unânimes ao afirmar que a principal forma de prevenção é evitar a exposição excessiva ao sol, especialmente entre 10h e 16h, além do uso diário de protetor solar, chapéus, óculos escuros e roupas adequadas. Trabalhadores expostos continuamente ao sol precisam de atenção redobrada.
Com verões cada vez mais quentes, a mensagem é clara: o cuidado com a pele não deve ser sazonal, mas um hábito permanente de saúde, capaz de reduzir riscos, salvar vidas e garantir melhor qualidade de vida no futuro.