Nesta terça-feira (20), completam-se 30 anos do episódio que entrou para a história da ufologia brasileira e permanece envolto em controvérsia: o Caso ET de Varginha. Desde os relatos iniciais — em janeiro de 1996, quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura estranha em um terreno baldio na cidade do sul de Minas Gerais — não há resposta definitiva ou consenso oficial sobre o que realmente ocorreu, apesar de amplas narrativas, versões conflitantes e investigações ao longo das últimas três décadas.
O caso ganhou notoriedade em nível nacional e internacional a partir da descrição da suposta criatura — pele marrom, olhos vermelhos e protuberâncias na cabeça — e de relatos posteriores, inclusive de moradores que disseram ter visto objetos voadores não identificados na região. A partir daí, surgiram diversas versões, entre elas a de que o suposto ser teria sido capturado por militares e levado a estruturas do Exército para análise, o que alimentou teorias de encobrimento oficial e especulações globais.
Investigação oficial e arquivamento
Apesar do impacto midiático e do interesse de ufólogos e pesquisadores, documentos oficiais sustentam uma versão diferente. Um Inquérito Policial Militar (IPM), conduzido pela Escola de Sargentos do Exército e hoje sob guarda do Superior Tribunal Militar (STM), concluiu que não há evidências de que o episódio envolveu qualquer criatura extraterrestre ou operação do Exército. A investigação aponta que o relato inicial pode ter sido fruto de um equívoco de interpretação — possivelmente confundido com um morador local com deficiências físicas — em meio a uma forte chuva naquela tarde de janeiro. Esses autos foram arquivados em 1997 e permanecem disponíveis ao público em formato digital no site do STM.
Versões, testemunhos e cultura popular
Apesar da conclusão oficial, muitos relatos independentes continuam a circular. Alguns ufólogos e moradores sustentam que as autoridades ocultaram detalhes — tese que ganhou força em documentários recentes lançados por emissoras e cineastas, que reúnem depoimentos inéditos e evocam novas interpretações sobre os eventos de 1996. Há, por exemplo, relatos de um médico que afirma ter visto a suposta criatura em um hospital da cidade, descrevendo-a de forma distinta dos relatos originais.
O caso também deixou marcas culturais duradouras. Varginha transformou-se em um polo de turismo ufológico, com estátuas, um memorial dedicado ao “ET” e eventos temáticos que atraem visitantes do Brasil e do exterior, mantendo viva a narrativa em diferentes esferas socioculturais.
Debate público e científico
Nos últimos anos, o tema voltou à cena pública em fóruns oficiais. Em 2025, o caso foi debatido em audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, reunindo especialistas, integrantes de movimentos ufológicos e representantes da sociedade civil para discutir não apenas o episódio de Varginha, mas questões mais amplas relacionadas a objetos voadores não identificados, sigilo militar e direito à informação, sem, no entanto, chegar a conclusões definitivas.
Trinta anos após o evento, a falta de evidências concretas e a coexistência de versões distintas continuam a alimentar tanto o fascínio popular quanto a controvérsia científica. Enquanto autoridades militares sustentam que o caso foi um engano interpretativo, muitos entusiastas e pesquisadores ainda veem nas narrativas e relatos testemunhais um mistério não esclarecido — um paradoxo que garante a longevidade da lenda do ET de Varginha no imaginário coletivo.