A falta de energia que atingiu a cidade de São Paulo após a ventania histórica entre quarta (11) e quinta-feira (12) já provocou ao menos R$ 1,54 bilhão em perdas ao comércio e ao setor de serviços, segundo estimativa divulgada pela Fecomercio-SP. O levantamento aponta que R$ 1 bilhão desse montante corresponde ao segmento de serviços e R$ 511 milhões ao varejo.
Os prejuízos, porém, tendem a ser ainda maiores. “Não entraram na conta perdas de estoque, produtos que estragaram e impactos indiretos que só aparecerão nos próximos dias”, destacou a federação, lembrando que o episódio repete apagões anteriores. Em outubro de 2024, SP ficou até cinco dias sem luz e registrou quase R$ 2 bilhões em perdas.
Mais de 1 milhão de imóveis amanhecem no escuro
Somente na capital, a Enel confirmou que mais de 1 milhão de imóveis amanheceram sem energia. No pico da crise, 2,2 milhões de clientes foram afetados na Grande São Paulo. As rajadas de vento chegaram a 98 km/h, derrubando árvores, rompendo cabos e destruindo postes e transformadores.
A concessionária, porém, não deu prazo para o restabelecimento total da energia.
Aeroportos entram em colapso: 344 voos cancelados
O caos elétrico também atingiu o transporte aéreo. Desde quarta-feira (10), 344 voos foram cancelados nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, sendo 100 somente nesta quinta.
- Em Guarulhos: 15 partidas e 39 chegadas canceladas.
- Em Congonhas: 31 chegadas e 15 partidas suspensas.
Os saguões ficaram lotados, com passageiros dormindo nos bancos e filas que atravessavam os terminais. Os reflexos também foram sentidos em aeroportos do Rio e de Brasília.
Aneel notifica Enel e exige explicações em 5 dias
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) notificou a Enel e exigiu esclarecimentos formais sobre o apagão. A agência aponta que a concessionária já tinha conhecimento da formação do ciclone extratropical responsável pela ventania e questiona:
“Por que a empresa não se preparou para o evento, já que a previsão meteorológica era conhecida?”
A agência exige:
- Laudo meteorológico
- Data e hora em que a Enel soube da formação do ciclone
- Plano de contingência
- Gráfico da “Curva de Recomposição”
- Detalhamento da mobilização de equipes e call center
- Comprovação de que a estrutura da empresa é compatível com a área de concessão
Prefeitura de SP também notifica a Enel e cobra respostas em 48 horas
A Prefeitura de São Paulo notificou a concessionária e pediu explicações sobre:
- O grande número de carros parados no trânsito devido à queda de energia
- As razões para a população ficar tantas horas sem fornecimento
- Falhas operacionais repetidas, já registradas em 2023 e 2024
O prefeito Ricardo Nunes já havia pedido a rescisão do contrato da Enel no ano passado após sucessivos apagões.
Enel chama evento de “atípico” e afirma que mobilizou 1.600 equipes
O diretor regional da Enel São Paulo, Marcelo Puertas, classificou o episódio como excepcional:
“Vivemos algo completamente atípico. Não foi uma tempestade comum. Os ventos chegaram a 97 km/h e duraram praticamente o dia inteiro”, afirmou à CNN.
Segundo ele, o número de imóveis afetados chegou a 2,2 milhões, reduzido em 35% depois de ações emergenciais.
Reconstrução total da rede
Puertas explicou que o dano foi extenso e exigirá reconstrução física da rede:
“Não é uma simples emenda de cabo. Árvores derrubaram postes, transformadores e fiações. Um poste pesa 1.500 quilos e exige guindastes e logística complexa para ser reinstalado.”
A empresa diz ter 1.600 equipes em operação, trabalhando em regime de rodízio às 6h, 15h e 22h.
Investimentos após apagões de 2023
A Enel afirmou que vem reforçando a estrutura desde os apagões do fim de 2023:
- Contratação de 1.200 eletricistas adicionais e mais 400 em andamento
- Programa de poda de 600 mil árvores em 2024, com meta de chegar a 700 mil
- Investimentos em sistemas de telecontrole e motoeletricistas
- Total de R$ 10,4 bilhões em investimentos entre 2025 e 2027
Atendimento a grupos vulneráveis e indenizações
A empresa também citou o cadastro de “sobrevida”, com atendimento prioritário a pacientes que dependem de aparelhos elétricos.
Para quem perdeu alimentos ou medicamentos:
“O consumidor deve registrar um pedido de indenização nos canais de atendimento da companhia”, informou Puertas.