O primeiro turno das eleições de 2026 produziu um dos cenários políticos mais significativos desde a redemocratização brasileira. Mais de 125 milhões de eleitores compareceram às urnas em 4 de outubro para escolher presidente, governadores, dois senadores por estado, deputados federais e deputados estaduais ou distritais. Os dados oficiais da totalização estão disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral.
Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro, do PL, terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, ou 56.103.033 votos. Lula, do PT, ficou em segundo, com 45,16%, ou 53.870.724 votos. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
É uma situação diferente da registrada em 2022. Naquela eleição, Lula terminou o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro e posteriormente venceu o segundo turno por 50,90% a 49,10%. Em 2026, pela primeira vez, Lula chega à segunda votação presidencial atrás de um candidato ligado diretamente à família Bolsonaro.
O primeiro turno presidencial
O resultado nacional mostra uma disputa extremamente concentrada.
Flávio Bolsonaro conseguiu transformar a força eleitoral do bolsonarismo em uma votação superior à obtida pelo próprio Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. Lula, por outro lado, perdeu a liderança nacional e terá agora de recuperar terreno principalmente entre os eleitores que optaram por candidatos que ficaram fora do segundo turno.
Um dos fatores que chamaram atenção foi a abstenção. Cerca de 33,5 milhões de eleitores deixaram de votar, índice equivalente a aproximadamente 21% do eleitorado. Analistas apontam que a abstenção e a migração de votos dos candidatos eliminados tiveram papel importante para colocar Flávio na liderança.
O segundo turno presidencial será realizado em 25 de outubro.
Congresso: A grande vitória do PL
Se a eleição presidencial terminou aberta, o resultado para o Congresso apresentou uma fotografia muito mais clara.
O PL elegeu 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara dos Deputados para a legislatura que começa em 2027.
O PT ficou em segundo lugar, com 70 deputados. Na sequência aparecem União Brasil, com 46; PSD, com 43; PP e Republicanos, com 41 cada; MDB, com 36; e Podemos, com 27.
A nova Câmara terá, portanto, uma presença significativamente maior da direita.
Segundo levantamento da Folha, a direita reunirá aproximadamente 59% das cadeiras, enquanto a esquerda ficará com cerca de 24% e o centro com aproximadamente 17%.
O resultado significa que, mesmo que Lula vença a Presidência, terá pela frente um Congresso muito diferente daquele que recebeu em 2023.
Se Flávio Bolsonaro vencer, por outro lado, terá uma base inicial consideravelmente mais favorável, embora ainda precise negociar com o centro para aprovar mudanças constitucionais.
Quem ganhou e quem perdeu espaço na Câmara?
PL — grande vencedor
O PL foi o principal vencedor das eleições legislativas.
A legenda saltou para 121 deputados federais, tornando-se a maior bancada da Câmara.
O crescimento foi acompanhado por votações individuais expressivas, especialmente entre candidatos ligados às redes sociais e ao movimento conservador.
O maior símbolo dessa força foi Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, que recebeu 3.119.318 votos, uma das maiores votações da história da Câmara e mais que o dobro do resultado que havia obtido em 2022.
Lucas Pavanato, em São Paulo, também ultrapassou a marca de três milhões de votos.
PT — mantém força, mas perde espaço relativo
O PT elegeu 70 deputados federais e continua sendo a segunda maior bancada individual da Câmara.
Porém, o crescimento da direita reduziu sua capacidade de comandar a agenda parlamentar sozinho.
O resultado também mostra uma diferença regional: o PT continua muito forte no Nordeste e mantém bancadas importantes em estados como Minas Gerais, Bahia, Ceará e Pernambuco.
Centro — encolhimento
PSD, PP, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos continuam fundamentais, mas juntos perderam espaço.
Segundo levantamento divulgado em 8 de outubro, essas seis legendas passaram de 253 para 234 cadeiras na Câmara. No Senado, passaram de 42 para 32. O PSD foi particularmente atingido, caindo de 14 para cinco senadores.
Isso ajuda a explicar por que partidos tradicionalmente classificados como centro começaram rapidamente a negociar seu posicionamento para o segundo turno presidencial.
E no Senado?
O Senado também sofreu uma mudança significativa.
O PL chega à próxima legislatura como a principal força da Casa, com 28 senadores eleitos.
A mudança é ainda mais importante porque, em 2026, foram renovadas duas das três cadeiras de cada estado e do Distrito Federal — um total de 54 vagas.
Entre os eleitos estão nomes fortemente identificados com o campo conservador, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal, além de Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, em Santa Catarina.
O resultado produz um Senado muito mais à direita do que o atual e poderá provocar mudanças importantes na relação entre Congresso, Executivo e Supremo Tribunal Federal.
Os governadores: 20 estados resolveram a disputa no primeiro turno
Outro grande destaque foi a quantidade de governos estaduais decididos já no primeiro turno.
20 estados elegeram seus governadores em 4 de outubro.
É um número excepcionalmente alto e está entre os maiores da história eleitoral brasileira. O Senado registra o resultado como recorde desde a redemocratização.
Entre os governadores eleitos estão:
- Alagoas: JHC — PSDB
- Amapá: Dr. Furlan — PSD
- Bahia: Jerônimo Rodrigues — PT
- Ceará: Elmano de Freitas — PT
- Goiás: Daniel Vilela — MDB
- Maranhão: Eduardo Braide — PSD
- Mato Grosso: Otaviano Pivetta — Republicanos
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel — PP
- Minas Gerais: Cleitinho Azevedo — Republicanos
- Pará: Dr. Daniel — Podemos
- Paraíba: Lucas Ribeiro — PP
- Paraná: Sergio Moro — PL
- Pernambuco: Raquel Lyra — PSD
- Piauí: Rafael Fonteles — PT
- Rio Grande do Sul: Luciano Zucco — PL
- Rondônia: Marcos Rogério — PL
- Roraima: Arthur Henrique — PL
- Santa Catarina: Jorginho Mello — PL
- São Paulo: Tarcísio de Freitas — Republicanos
- Sergipe: Fábio Mitidieri — PSD
O PL teve desempenho particularmente importante, enquanto PT, PSD, Republicanos e PP também conquistaram governos.
Sete disputas para governador vão ao segundo turno
Sete unidades da Federação ainda não definiram o governador.
São elas:
| UF | Primeiro colocado | Segundo colocado |
| Acre | Mailza Assis — PP, 49,76% | Alan Rick — Republicanos, 32,27% |
| Amazonas | Omar Aziz — PSD, 40,38% | Maria do Carmo — PL, 24,72% |
| Distrito Federal | Celina Leão — PP, 49,93% | Leandro Grass — PT, 34,48% |
| Espírito Santo | Lorenzo Pazolini — Republicanos, 49,65% | Ricardo Ferraço — MDB, 34,06% |
| Rio de Janeiro | Douglas Ruas — PL, 49,27% | Eduardo Paes — PSD, 42,76% |
| Rio Grande do Norte | Allyson — União, 36,83% | Cadu de Lula — PT, 36,21% |
| Tocantins | Professora Dorinha — União, 45,52% | Vicentinho Júnior — PSDB, 43,94% |
Todos esses segundos turnos ocorrerão em 25 de outubro.
O caso mais apertado é o Rio Grande do Norte: apenas 0,62 ponto percentual separou os dois primeiros candidatos.
No Distrito Federal, Celina Leão ficou a apenas 0,07 ponto dos 50% necessários para vencer no primeiro turno.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini também ficou muito próximo da vitória.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas alcançou 49,27%, mas ainda não ultrapassou a maioria absoluta dos votos válidos.
Minas Gerais: Cleitinho vence no primeiro turno
Minas Gerais apresentou uma das principais mudanças políticas do país.
Cleitinho Azevedo, do Republicanos, foi eleito governador no primeiro turno.
Em Juiz de Fora, entretanto, a votação apresentou uma característica diferente: Cleitinho teve 42,11% dos votos válidos, contra 38,94% de Patrus Ananias.
Em Além Paraíba, Cleitinho teve desempenho ainda mais forte: 53,70%, contra 32,53% de Patrus.
Rio de Janeiro: Disputa aberta entre Douglas Ruas e Eduardo Paes
O Rio de Janeiro terá uma das disputas mais importantes do segundo turno.
Douglas Ruas, do PL, terminou em primeiro, com 49,27%, enquanto Eduardo Paes, do PSD, ficou com 42,76%.
A eleição fluminense ganhou ainda uma dimensão jurídica envolvendo a situação eleitoral de Anthony Garotinho. Por isso, a situação definitiva de eventual vitória no primeiro turno chegou a depender de decisões judiciais. A decisão ocorreu nesta quinta-feira (08/10).
O placar final do julgamento no Plenário do TSE terminou em 5 votos a 2 para rejeitar a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinar a exclusão definitiva dos seus votos. A confirmação da invalidação dos 274.411 votos (3,17%) recebidos por Garotinho reduziu a base de cálculo total de votos válidos para o governo do Rio de Janeiro. Com isso, o primeiro colocado, Douglas Ruas (PL), ultrapassou matematicamente a maioria absoluta necessária e foi eleito Governador do Rio de Janeiro no 1º Turno, eliminando assim a necessidade de um 2º turno.
Mas, a coligação de Eduardo Paes (PSD) anunciou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) acerca de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A partir do recebimento, pelo TRE-RJ, do ofício enviado pelo TSE comunicando a necessidade de retotalização, a Justiça Eleitoral do Rio publicará um edital convocando uma sessão pública de retotalização, que deve ocorrer 48 horas após a publicação deste edital.
O mapa regional é revelador
Em Petrópolis, Douglas Ruas teve 53,12%, contra 38,39% de Eduardo Paes.
Em Teresópolis, a vantagem de Ruas foi ainda maior: 62,73%, contra 30,57% de Paes.
Isso mostra que a Região Serrana poderá ser um importante território de mobilização no segundo turno.
Presidente: Como ficaram as quatro cidades da região
Juiz de Fora
Lula venceu o primeiro turno municipal com 49,57% dos votos válidos.
É um resultado muito diferente daquele observado em parte da Região Serrana fluminense.
Além Paraíba
Lula também venceu, com 49,89%, contra 42,91% de Flávio Bolsonaro.
Teresópolis
Flávio Bolsonaro venceu com 62,84%, contra 28,63% de Lula.
Petrópolis
Flávio Bolsonaro também venceu, com 55,88%, contra 33,59% de Lula.
A comparação é politicamente interessante: Juiz de Fora e Além Paraíba deram maioria a Lula; Petrópolis e Teresópolis deram ampla vantagem a Flávio Bolsonaro.
Senado: O mapa regional
Em Juiz de Fora, os dois candidatos mais votados foram Marília Campos, do PT, com 24,30%, e Domingos Sávio, do PL, com 21,86%. Áurea Carolina, do PSOL, chegou a 20,15%.
Em Além Paraíba, o resultado foi diferente: Domingos Sávio teve 20,53% e Carlos Viana, do PSD, 19,81%.
Em Teresópolis, a votação foi claramente favorável à direita: Carlos Portinho, do PL, 33,39%, e Carlos Jordy, também do PL, 31,08%.
Em Petrópolis, Portinho teve 29,08% e Jordy, 26,49%. Benedita da Silva, do PT, ficou em terceiro, com 18,24%.
Deputados Federais — Destaques Regionais
Juiz de Fora
Os dez mais votados na cidade foram:
- Nikolas Ferreira — PL — 71.869
- Ana Pimentel — PT — 65.475
- Sargento Mello-Casal — PL — 19.515
- Ana Elisa — PT — 18.930
- Katia Dias — PSB — 14.456
- Delegada Ione — PL — 12.213
- Charlles Evangelista — PL — 7.335
- Duda Salabert — PSOL — 5.183
- Wadson Ribeiro — PCdoB — 3.565
- Gilberto Abramo — Republicanos — 3.483.
Além Paraíba
- Nikolas Ferreira — PL — 4.518
- Dimas Fabiano — PP — 1.919
- Paulo Filho da Fundação — PSD — 1.649
- Reginaldo Lopes — PT — 1.317
- Ana Pimentel — PT — 1.107
- Ana Elisa — PT — 1.075
- Delegada Ione — PL — 889
- Eduardo Cunha — Republicanos — 802
- Fred Costa — PRD — 780
- Flávia Abreu — PSD — 622.
A força de Nikolas é particularmente impressionante: ele foi o primeiro colocado tanto em Minas Gerais quanto em Juiz de Fora e Além Paraíba. Em Minas, ultrapassou 3,1 milhões de votos.
Deputados Estaduais — Destaques Regionais
Juiz de Fora
- Roberta Lopes — PL — 35.736
- Betão — PT — 28.020
- Noraldino Junior — PSB — 26.165
- Laiz Perrut — PT — 21.246
- Tiago Bonecão — Democrata — 19.564
- Delegada Sheila — PL — 14.928
- Dr. Antônio Aguiar — União — 11.916
- Bruno Engler — PL — 9.512
- Ana do Padre Frederico — PP — 8.926
- Macaé Evaristo — PT — 8.225.
Além Paraíba
- Laiz Perrut — PT — 2.736
- Doutor Wilson Batista — PSD — 2.550
- Grego da Fundação — União — 2.475
- Zé Guilherme — PP — 1.691
- Roberta Lopes — PL — 836
- Cristiano Silveira — PT — 804
- Bruno Engler — PL — 769
- Noraldino Junior — PSB — 700
- Eduardo Azevedo — PL — 598
- Beatriz Cerqueira — PT — 503.
Região Serrana do Rio: Um voto mais conservador
Os resultados de Petrópolis e Teresópolis mostram uma forte presença eleitoral da direita na região.
Teresópolis deu a Flávio Bolsonaro 62,84% e a Douglas Ruas 62,73%.
Petrópolis deu a Flávio Bolsonaro 55,88% e a Douglas Ruas 53,12%.
No Legislativo estadual, o cenário também é diversificado.
Em Petrópolis, o candidato mais votado para deputado estadual foi Yuri Moura, do PSOL, com 29.506 votos, enquanto em Teresópolis a liderança municipal ficou com Claudia Vasconcellos, do PSD, com 15.095 votos.
O resultado demonstra que o eleitorado regional não é homogêneo: existe forte preferência presidencial pela direita, mas candidaturas locais de centro e esquerda continuam competitivas.
Quem mais cresceu?

Nikolas Ferreira
É provavelmente o maior fenômeno individual da eleição para a Câmara.
Ele passou de aproximadamente 1,49 milhão de votos em 2022 para mais de 3,1 milhões em 2026, crescimento superior a 100%.
PL
O partido foi o grande vencedor institucional.
Além da maior bancada da Câmara, conseguiu eleger senadores e governadores em diversas regiões.
Direita nas Assembleias
O movimento também chegou aos Legislativos estaduais.
Em São Paulo, por exemplo, o PL ampliou fortemente sua bancada e chegou a 27 deputados estaduais. O PSOL também cresceu, enquanto União Brasil perdeu espaço.
Quem mais perdeu espaço?
O maior grupo perdedor foi o centrão tradicional, especialmente algumas legendas que dependiam de grandes bancadas no Congresso para exercer influência sobre o governo.
O PSD é o caso mais expressivo no Senado: passou de 14 para apenas cinco cadeiras.
União Brasil, PP, Republicanos, MDB e Podemos também perderam espaço no conjunto do Congresso.
Na esquerda, o PT preservou sua posição de segunda maior bancada da Câmara, mas perdeu figuras históricas e viu nomes tradicionais como Benedita da Silva e outros candidatos de grande projeção enfrentarem dificuldades eleitorais.
As alianças para o segundo turno
A corrida presidencial começou imediatamente após a apuração.
Flávio Bolsonaro recebeu apoios importantes.
Apoios já anunciados a Flávio
- Federação União Progressista — União Brasil e PP
- Republicanos
- Novo
- Podemos
- Ronaldo Caiado
- Romeu Zema
- outras lideranças regionais de direita e centro-direita.
O Republicanos oficializou apoio após articulação de Tarcísio de Freitas e o Novo também anunciou apoio formal, disse o portal UOL Notícias.
O Podemos posteriormente confirmou adesão à campanha de Flávio segundo a Folha de S.Paulo.
E Lula?
A tendência é que Lula procure ampliar sua aliança principalmente entre partidos e lideranças de centro-esquerda e setores do centro que desejem evitar uma concentração ainda maior de poder no campo bolsonarista.
No entanto, partidos como MDB e PSD decidiram liberar seus filiados em vez de assumir nacionalmente uma única candidatura. Lideranças individuais dessas siglas podem apoiar candidatos diferentes.
O que Flávio Bolsonaro precisa fazer para vencer?
Flávio parte na frente, mas não tem a eleição garantida.
O primeiro desafio é preservar a vantagem sem transformar a campanha em uma disputa excessivamente radicalizada.
Ele precisa:
- manter praticamente intacto o eleitorado conservador;
- conquistar parte dos votos dos candidatos eliminados;
- reduzir a resistência entre eleitores moderados;
- manter forte desempenho no Sul, Sudeste e Centro-Oeste;
- ampliar sua presença entre eleitores de baixa renda;
- evitar crescimento significativo da abstenção entre seus próprios eleitores;
- transformar o apoio dos partidos do centro em votos efetivos.
O grande risco para Flávio é vencer o primeiro turno por uma margem confortável e perder parte dessa vantagem durante uma campanha de segundo turno mais polarizada.
O que Lula precisa fazer?
Lula tem uma tarefa ainda mais difícil matematicamente.
Ele precisa buscar aproximadamente os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho e, principalmente, reduzir sua desvantagem em regiões onde Flávio terminou muito à frente.
O presidente precisa:
- aumentar a participação dos eleitores de baixa renda;
- reduzir a abstenção;
- ampliar a vantagem no Nordeste;
- recuperar votos no Sudeste;
- conquistar eleitores de centro;
- apresentar uma mensagem econômica capaz de dialogar com a classe média;
- transformar a disputa em uma escolha entre projetos de governo, evitando que o segundo turno fique concentrado apenas em Lula versus Bolsonaro.
A campanha petista também deverá tentar explorar a força do novo Congresso conservador como argumento para convencer eleitores moderados a evitar uma concentração política ainda maior nas mãos do PL.
O grande fator: Os votos dos terceiros colocados
O segundo turno começa praticamente do zero.
Os votos de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos e dos demais candidatos não são automaticamente transferidos.
O eleitor continua livre para escolher Lula, Flávio, votar em branco, anular ou não comparecer.
Por isso, as alianças partidárias são importantes, mas não significam transferência automática de votos.
O que o eleitor precisa saber para o segundo turno?
A votação será realizada no domingo, 25 de outubro de 2026.
No segundo turno presidencial, o eleitor votará apenas para:
Presidente da República
E, nas sete unidades da Federação que ainda não definiram o governador:
Governador.
Não haverá nova votação para deputado federal, deputado estadual ou senador. Esses cargos já foram definidos no primeiro turno.
O eleitor deve levar anotados os números dos candidatos escolhidos.
Também é importante lembrar que o eleitor precisa estar em situação eleitoral regular e votar no local correspondente ao seu título.
O TSE disponibiliza a consulta oficial aos resultados, boletins de urna e informações eleitorais. A própria Justiça Eleitoral destaca que os boletins de urna podem ser consultados e utilizados para auditoria dos resultados. (Tribunal Superior Eleitoral)
Análise final
O primeiro turno de 2026 deixa três mensagens políticas muito claras.
A primeira: o bolsonarismo mostrou capacidade de sobrevivência e renovação mesmo depois da saída de Jair Bolsonaro da disputa presidencial.
A segunda: o PL transformou força eleitoral em poder institucional, tornando-se a maior bancada da Câmara e uma das principais forças do Senado.
A terceira: Lula continua tendo uma base eleitoral enorme — mais de 53 milhões de votos no primeiro turno — mas terá de construir uma nova maioria para vencer a eleição presidencial.
O Brasil entra agora em uma campanha de segundo turno que será decidida não apenas pelos votos de Lula e Flávio Bolsonaro, mas pela capacidade de cada campanha de convencer o eleitor que ficou no meio do caminho.
E existe uma diferença fundamental em relação ao primeiro turno: agora não há terceiro caminho na disputa presidencial.
De um lado, Lula e o campo político que representa o atual governo.
Do outro, Flávio Bolsonaro e uma direita que sai fortalecida das urnas e chega ao segundo turno acompanhada por uma bancada parlamentar muito maior.
A eleição presidencial de 2026, portanto, entra em sua fase decisiva com uma pergunta central:
o eleitor brasileiro vai preferir ampliar a mudança política iniciada nas urnas ou preservar o atual projeto de governo?
A resposta será dada em 25 de outubro.