A explosão da procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras” também fez crescer um mercado clandestino no Rio de Janeiro. Com medicamentos entrando ilegalmente no país, operações de fiscalização têm se intensificado e as apreensões dispararam, acendendo um alerta das autoridades sanitárias sobre os riscos à saúde.
O avanço do uso de medicamentos à base de semaglutida, tirzepatida e outras substâncias voltadas ao emagrecimento abriu espaço para uma rede de importação irregular, muitas vezes ligada ao contrabando vindo de países vizinhos, como Paraguai e Argentina. Produtos sem registro na Anvisa, de origem desconhecida e armazenamento inadequado estão entre as principais preocupações das autoridades.
No Rio de Janeiro, ações recentes mostram o tamanho do problema. Em março, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu caixas de medicamentos usados em canetas emagrecedoras na BR-116, em Seropédica, na Baixada Fluminense. O motorista, segundo a investigação, vinha da região de fronteira com o Paraguai e levava os produtos para comercialização na capital fluminense.
Já em abril, uma operação da Delegacia do Consumidor (Decon) e da Vigilância Sanitária estadual retirou de circulação canetas emagrecedoras irregulares em uma clínica da Zona Sul do Rio. Durante a fiscalização, agentes encontraram medicamentos de uso proibido, hormônios sem procedência e produtos vencidos. Dois profissionais foram presos em flagrante.
O cenário preocupa órgãos de saúde pública. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio também emitiu alerta sobre a manipulação irregular das chamadas canetas emagrecedoras, destacando que versões produzidas sem autorização ou controle sanitário podem colocar pacientes em risco, sobretudo diante da popularização desses medicamentos nas redes sociais e em clínicas estéticas.
Em nível nacional, a ofensiva contra o mercado clandestino ganhou reforço. A Polícia Federal e a Anvisa passaram a atuar de forma integrada na análise de medicamentos apreendidos, enquanto operações em diversos estados têm como alvo a produção, importação e venda ilegal desses produtos. Em uma única ação de fronteira, a Receita Federal apreendeu centenas de canetas e ampolas avaliadas em cerca de R$ 300 mil.
A Anvisa reforça que medicamentos para emagrecimento devem ser adquiridos apenas em farmácias autorizadas, com prescrição médica e registro sanitário. O alerta é para o risco de falsificações, substâncias adulteradas e efeitos adversos graves em produtos vendidos clandestinamente pela internet, redes sociais ou trazidos ilegalmente do exterior.