A maior usina nuclear do Japão e do mundo em capacidade instalada, a Kashiwazaki-Kariwa, voltou a ser desligada menos de 24 horas após a retomada das operações, reacendendo dúvidas sobre a confiabilidade do programa nuclear japonês no período pós-Fukushima. O desligamento ocorreu no reator 6, operado pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO), após o acionamento de um alarme em sistemas de controle considerados críticos para a segurança da unidade.
Segundo a operadora, a parada foi preventiva e não houve vazamento de radiação nem risco para a população local. O alerta envolveu o sistema de controle das barras que regulam a reação nuclear, levando a TEPCO a interromper o funcionamento para inspeções e testes adicionais. Ainda não há previsão oficial para um novo reinício do reator.
Localizada na província de Niigata, a usina de Kashiwazaki-Kariwa possui sete reatores e é considerada estratégica para o Japão, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e cumprir metas de descarbonização. A retomada do reator 6 havia sido tratada pelo governo japonês como um marco simbólico, por representar um dos passos mais relevantes na reativação do setor nuclear desde o desastre de Fukushima, em 2011.
No entanto, o novo desligamento reforça a resistência de comunidades locais e de setores da sociedade civil, que questionam a segurança e a capacidade operacional das usinas nucleares administradas pela TEPCO. Especialistas avaliam que falhas técnicas após longos períodos de inatividade podem ocorrer, mas destacam que episódios tão próximos do reinício ganham peso político e simbólico em um país ainda marcado pela memória do maior acidente nuclear de sua história recente.
O caso também é acompanhado com atenção no exterior, já que a política energética japonesa influencia o debate global sobre o papel da energia nuclear na transição para fontes de baixo carbono. Para analistas, o desempenho de Kashiwazaki-Kariwa será decisivo para definir o ritmo e a aceitação social da retomada nuclear no Japão nos próximos anos.