Empresa espacial americana Blue Origin se prepara para lançar mais seis passageiros ao espaço em um voo turístico suborbital nesta semana, enquanto voos anteriores — incluindo um com a cantora Katy Perry e outras mulheres notáveis — ilustram como a experiência de “ir ao espaço” varia de acordo com o tipo de missão. A decolagem está programada para o dia 22 de janeiro de 2026, com a aeronave reutilizável New Shepard levando civis ao limite do espaço por cerca de 10 a 12 minutos.
À medida que empresas privadas expandem o turismo espacial, voos como o NS‑38 — a missão mais recente planejada pela Blue Origin — se tornaram um espetáculo cada vez mais frequente, atraindo atenção tanto do público quanto das mídias especializadas.
Do Texas ao “espaço”: como funcionam as experiências suborbitais
Os voos suborbitais operados pela Blue Origin não colocam a cápsula em órbita ao redor da Terra; em vez disso, a nave alcança altitudes superiores a 100 km acima do solo, ultrapassando a chamada linha de Kármán, a fronteira internacionalmente reconhecida do espaço.
Durante o voo:
- O foguete dispara verticalmente a partir do deserto do Texas.
- Após poucos minutos, a cápsula se separa do propulsor e sobe até o pico da trajetória.
- Os passageiros vivenciam alguns minutos de microgravidade (sensação de ausência de peso) e observam a Terra curvada com o céu escuro ao fundo antes do retorno sob paraquedas.
Esse tipo de experiência, embora breve, oferece aos participantes a sensação direta de “estar no espaço”, com vistas panorâmicas do planeta e alguns minutos de gravidade zero — um contraste com voos orbitais, que demandam velocidades muito maiores e estadias prolongadas acima da atmosfera terrestre.
O histórico de voos e o caso de Katy Perry
Em 14 de abril de 2025, a Blue Origin realizou uma missão suborbital de destaque: a NS‑31, que colocou no limite do espaço um grupo formado exclusivamente por mulheres, incluindo a cantora Katy Perry, a apresentadora Gayle King e a jornalista e parceira de Jeff Bezos, Lauren Sánchez, junto com outras quatro profissionais.
A missão alcançou altitudes superiores a 106 km, proporcionando aos seis participantes uma experiência de cerca de 10 a 11 minutos no espaço suborbital, com momentos de ingravidez e vistas da Terra antes de retornarem em segurança ao solo.
Esse voo chamou atenção não apenas por incluir uma celebridade internacional, mas também por marcar um encontro entre figuras do entretenimento e profissionais de diversos setores em uma experiência espacial.
Turismo espacial hoje: breve, visível e cada vez mais comum
Embora experiências suborbitais como as da Blue Origin ofereçam um vislumbre curto, porém intenso, da fronteira espacial, elas são diferentes de voos orbitais, como os realizados pela SpaceX rumo à Estação Espacial Internacional ou além. Voos orbitais exigem:
- Velocidades muito maiores (capazes de manter a nave em órbita),
- Maior duração (dias ou semanas),
- Infraestrutura complexa e sistemas de suporte à vida robustos.
Já os voos suborbitais concentram a aventura espacial em um intervalo de tempo curto, com foco em sensações e vistas impressionantes, sem entrar em órbita. Esse perfil de turismo espacial tem atraído interesse crescente de clientes capazes de arcar com os custos e de empresas que buscam popularizar a experiência fora da Terra.
À medida que a Blue Origin e outras empresas privadas planejam mais lançamentos, a fronteira entre viagens científicas, turismo e espetáculo midiático continua a se estreitar, abrindo novas possibilidades e debates sobre o futuro dos voos espaciais tripulados.