Após cerca de 54 anos como parte da paisagem urbana brasileira, os tradicionais orelhões — telefones públicos emblemáticos das ruas — estão sendo definitivamente retirados das cidades. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a remoção dos aparelhos em função do fim das concessões do serviço de telefonia fixa que obrigavam as operadoras a mantê-los, decretando o início do fim dessa era em 2026.
Presente por décadas em esquinas, praças e centros urbanos, o orelhão foi por muito tempo um meio essencial de comunicação, especialmente antes da popularização dos celulares. Com o avanço das tecnologias móveis e serviços de comunicação pela internet, o uso desses telefones públicos caiu drasticamente, tornando a manutenção economicamente inviável para as empresas.
De acordo com a Anatel, restam pouco mais de 2 mil aparelhos em operação no país, muitos deles em áreas remotas onde a cobertura de telefonia móvel ainda é limitada. Ao longo de 2026, cerca de 30 mil orelhões serão removidos, principalmente de grandes centros urbanos e corredores comerciais, encerrando de forma quase total a presença desses equipamentos nas ruas brasileiras.
Embora a retirada represente o fim prático de um ícone urbano, a agência reguladora prevê que alguns telefones públicos possam permanecer até 2028 em localidades isoladas onde ainda cumpram papel funcional. Operadoras responsáveis pelos orelhões deverão redirecionar investimentos para infraestrutura de banda larga e redes móveis, refletindo a mudança dos hábitos de comunicação da população.
O adeus aos orelhões marca o fim de um capítulo da história das telecomunicações no Brasil, transformando a paisagem das cidades e sinalizando a consolidação da comunicação digital como norma dominante no cotidiano.